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Reforma500 – A História da Reforma Protestante – Cap. 4 – Os Erros da Reforma

A reforma, de modo geral, teve inúmeros pontos positivos e outros que nem tão positivos assim, há quem diga que a obra de Lutero e dos reformadores foi algo ‘perfeito’, só que não! Lutero e os reformadores cometeram muitos erros no processo de reforma. É lógico que sem a atitude de Lutero de pregar as 95 teses e de ter confrontado o papa e batido de frente com a igreja, até hoje estaríamos com uma religião absoluta nos estados (países) e rezando missas em latim.

Ninguém, ao citar os erros pode fazer deles um panteão para desqualificar a obra da reforma, no capítulo um eu deixei claro que Lutero foi o primeiro com ideias de “iluminismo” cerca de 200 anos antes, a ideia da laicidade estatal é um ponto positivíssimo no processo de formação do ocidente.

O primeiro erro cabal e mais grosseiro, depois do que podemos chamar de “inquisição protestante” (falaremos já, já), foram as más divisões entre os pensamentos de cada reformador, o problema mais atual e mais latente é aquele do ‘todo mundo pensa de uma maneira’, bom, naquela época essa parada já era sinistra entre eles. Lutero acreditava nas coisas de uma forma, Calvino de outra e por aí vai, como já dito o objetivo deles era sair e desconciliar o novo ideal da igreja católica, enquanto Lutero queria fazer do “redescobrimento” da Bíblia regras substituintes do catolicismo, ou seja, ele queria implantar suas ideias na igreja católica e não fazer uma nova igreja.

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Essa divisão fez com que Lutero fundasse a igreja luterana e cada um dos outros reformadores, ou se juntaram para fazer uma nova vertente, ou seguiram para tentar reformar o Anglicanismo. Por exemplo, o presbiterianismo tem origem na reforma a partir de João Calvino, John Knox, Guilherme Farel, Teodoro de Beza e Ulrico Zuinglio, na Escócia, Suíça, França e nos Países Baixos. Já na Alemanha, Lutero, Felipe Melancton estavam a todo vapor com criação e formação do Luteranismo, no Reino Unido, John Wycliff, Henrique VIII, e também John Knox novamente fundavam o anglicanismo que era o calvinismo com o nome de faixada.

Essas divisões e subdivisões geraram um mal costume entre os protestantes que vigora até hoje, e isso tomou proporções tão absurdas que é difícil até de contar quantas congregações temos e quantas vertentes existem, só no Brasil mais de 14 mil igrejas são criadas por ano, quase uma por hora!

O segundo erro, e o mais desgraçado dos protestantes, na minha visão, foi a matança dos anabatistas e aos humanistas, e a mistura do estado com a religião.

Lutero meio que forma uma milícia protestante, e no meio de toda religião há seus extremistas, lembrando que, todo mundo erra e nenhum movimento, por mais legítimo que seja, é o perfeito. NUNCA É. Não importa no que você crê TUDO TEM ERRO.  Então nunca seja fanático de um movimento X ou Y, tudo em excesso faz mal.

Essa milícia foi ordenada a matar os anabatistas e fazer uma espécie de caça às bruxas. Os anabatistas não eram nem católicos e nem protestantes, eles eram um grupo avulso que acreditava que tudo que a igreja católica fazia estava errado e discordava dos reformadores no pedobatismo e pregavam o rebatismo para anular o batismo católico, não havia um líder exato dos anabatistas, não eram um grupo organizado, e foram tidos como hereges pelos protestantes e morreram mais de 30 mil anabatistas nessa brincadeira de discordar da igreja católica e da reforma protestante. Em 1524 esse evento ficou conhecido como guerra dos camponeses, foi um verdadeiro caos.  No total, mais de 100 mil foram mortos devido a extensão do conflito de “Lutero” para “Carlos V”, os caras causaram uma briga com os protestantes e também com os católicos. Anota aí, 30 dos protestantes, mais 70 dos católicos. A igreja católica sempre matou mais que todo mundo.

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Ah, e NUNCA ACHE que os Anabatistas eram pessoas que também não matavam, que eram as vitimas, não eram, eles também matavam, perseguiam e pilhavam, porém em proporções menores pois não tinham muito espaço na sociedade.

É como eu disse a mistura da religião com o estado. Um destaque disso é o Reino Unido e a Suíça, que introduziram em seus parlamentos tradições e dogmas protestantes. Episódios como a promoção da morte de bispos católicos pela igreja Anglicana, motivada pela briga pessoal de Henrique VIII com o vaticano e a tortura e morte de humanistas e anabatistas da Suíça.

Caso Servetus. – Esse é o caso mais controversos da reforma e da continuação dela. Primeiro, porque hoje, o ativismo arminiano que é quase um esquerdismo dentro do cristianismo (é muito popular, mas nunca deu certo e está sempre errado), acusam veementemente que Calvino MATOU Servetus.

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Miguel Servetus era um humanista espanhol, que inventou de ir pra Genebra na Suíça no auge do governo protestante pregar suas teses, entenda que, na época o humanismo e o antropocentrismo que é colocar o homem como centro de tudo, era visto como uma heresia gravíssima, e ainda mais na primeira cidade-estado tipicamente e exclusivamente protestante. O cara foi justamente caçar briga com os protestantes, que já estavam em guerra com os camponeses e católicos e ainda aparece um maluco do nada querendo atacar a ideia com os caras.

Bom, Servetus foi condenado fogueira pelos juízes de Genebra por heresia, e aí é que vem um detalhe técnico. João Calvino não matou Servetus porque ele não tinha autoridade para isso, a maioria dos reformadores acreditavam que a heresia tinha que ser tratada como era tratada no catolicismo e no judaísmo: morte aos hereges! Ou seja, ele se ferrou, só que Calvino, mesmo fazendo parte da elite intelectual do governo genebrino, não tinha cargo público e nem era juiz, e vendo que Servetus ia ser condenado a fogueira, ele interviu para que Servetus fosse morto na guilhotina de maneira mais “branda”, ou seja, Calvino ainda foi um piedoso concordante de que queria aliviar a barra de Sevetus e hoje culpam o cara por uma morte que não foi ele que provocou. Basicamente Servetus cavou a própria cova.

Bom, esses foram alguns erros da igreja protestante de modo geral, em seu início, como dito, nenhum movimento é perfeito, nenhum movimento abrange em sua totalidade uma infalibilidade seja ideológica, seja prática.

Próximo capítulo:  Pós-Reforma

http://www.miguelservetinvestigacion.com/

https://www.swissinfo.ch/por/a-reforma-devora-seus-filhos_o-terr%C3%ADvel-fim-do-anabatista-felix-manz-/43314148

http://www.cacp.org.br/uma-palavra-sobre-os-erros-dos-reformadores/

http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/idade-media/inquisicao/710-a-inquisicao-protestante-reforma-intolerancia-e-perseguicao

http://www.aguasvivas.ws/revista/48/espigando2.htm

http://omundobiblico.blogspot.com.br/2012/09/os-principais-reformadores-do.html