Katharina von Bora

Reforma500 – A História da Reforma Protestante – Cap. 9 – O Papel das mulheres na Reforma.

As mulheres no Séc. XVI tiveram um papel importante na reforma. Algumas delas tiveram contribuições memoráveis que merecem destaque. A gente fala tanto de Lutero, Calvino e esquecemos as mulheres que tanto fizeram para que a reforma se desenrolasse.

Catharina Von Bora, Catarina Schutz Zell, Claudine Levet, Marie Dentèrem, Rachel Specht, Argula Von Grumbach, Olympia Morata, ocuparam lugares importantes na reforma protestante, até pouco tempo havia um silêncio na história sobre os feitos dessas mulheres de coragem que ajudaram a gerar o cristianismo que temos hoje.

Imagem relacionada

O destaque principal é de Catharina Von Bora, esposa de Lutero, casou-se com ele em 1525, Catharina fugiu de um mosteiro onde ela era freira. Lutero possibilitou essa fuga através de um mercador chamado Leonard Koppe que as levaria para Wittenberg, onde Lutero já as esperava para ajudá-las a encontrar casa, comida e maridos. Sendo que Catharina já havia sinalizado a Lutero que ele era o cara pra ela (Hummmmmmmmmm).

Catharina e Lutero foram os principais responsáveis por quebrar um dos maiores dogmas católicos: o celibato do episcopal. O celibato é a promessa que os padres e freiras fazem, jurando que não irão transar até o final de suas vidas. Ou seja, na teoria eles tinham que ser castos; os padres, freiras, bispos, na teoria até o papa.

O casamento de Lutero e Catharina quebrou um dos dogmas da igreja e abriu para o mundo a ideia de que: um epíscopo pode casar sim! Primeiro que os padres alegam que são a representação de Cristo, tendo o papa como a representação de Deus, em tese Jesus não praticou sexo e nem se casou, e como os epíscopos são “cristos” na igreja, então deveriam seguir o exemplo de Cristo. Digo que Cristo não se casou e não transou, “em tese”, porque a Bíblia foi adulterada no seu início canônico, na salada de frutas dos bispos católicos na escolha do que ia ser da Bíblia ou não, há rumores de que sim, Jesus havia se casado e que o Vaticano ocultou a parte do evangelho que dizia isso. Lógico que não acredito em teoria da conspiração, mas é um fato a ser observado. Eu creio no que já está na Bíblia e na narração que temos, porém se Jesus tivesse se casado não haveria nada de errado com isso.

Como eu disse anteriormente, quando a igreja fez a salada pra escolher os textos que iam para o cânon ou não ela colocou aquilo que lhe aprouve sem que houvesse algo “contrário” ao que foi posto ou não.

Imagem relacionada

O catolicismo afirma que o celibato episcopal se baseia em Cristo e que o primeiro papa foi Pedro (e não foi!), só que Pedro teve esposa sim! Pedro como “primeiro papa” -segundo os católicos- foi casado, a mulher dele não é mencionada nas escrituras, mas a sogra sim, Jesus curou a sogra de Pedro em Lucas 4:38-44, logo, se tem sogra tem esposa, só disso a gente já derruba um dos pilares do catolicismo. Casar nunca foi pecado. Todo bispo, pastor ou em qualquer outra função eclesiástica TEM que ter esposa, a Bíblia diz em Tito e em Timóteo que os líderes eclesiásticos antes de qualquer coisa têm que ser “MARIDO DE UMA SÓ ESPOSA”, tem que ser homem e casado (Pastoras, game over para vocês!).

Fora que Catharina era também “mestre cervejeira”, ela fazia cerveja para Lutero e os reformadores, em suas reuniões e suas opiniões foram muito úteis e contributivas para a reforma. Ela administrava o dinheiro e os bens da casa, era uma boa esposa e até quem negociava a venda dos livros de Lutero era ela, Catharina montou um pensionato para estudantes e discípulos de Lutero no processo da reforma e suas contribuições para que Lutero fosse mais organizado foram de total importância. É aquela regra, por trás de um grande homem existe uma grande mulher.

Outra inovadora mulher da reforma foi Argula Von Grumbach, era casada com um dos estudantes de Melancton, aos 10 anos de idade recebeu de presente, uma Bíblia de seu pai e após ler a Bíblia aprendeu mais ou menos o que os reformadores se baseavam. Ela foi importante porque ela escrevia cartas no modelo de “panfleto” com ideais da reforma e versículos bíblicos para divulga-la, basicamente a mulher era, além de corajosa, uma inovadora nos métodos de missões, hoje uma das armas que as pessoas mais usam para o evangelismo são aqueles panfletinhos. Ela ainda lutou pelos ideais da reforma sobre a igualdade de homens e mulheres e o valor da mulher na sociedade usando o cristianismo como base de tudo (Sorry feministas).

Marie Dentiere pregava a Bíblia para outras mulheres e reforçava na sociedade a igualdade com suas pregações. Dentiere, em Genebra, fez com que as pessoas reconhecessem o valor e a importância das mulheres dentro das escrituras.

Outro destaque é Olympia Morata que era teóloga, professora de Grego e foi chamada para lecionar a língua na Universidade de Heidelberg, com isso ela formou uma espécie de seminário de formação de pastores e missionárias, carregava consigo os ideais da reforma e os pregou até o fim de sua vida.

A Reforma foi motivadora para a participação das mulheres na igreja, de modo geral, porque a reforma pegou a mulher subjugada pela sociedade católica, como uma procriadora e cuidadora do lar e filhos e a coloca num lugar de destaque. Lutero foi enfático ao dizer que a mulher TINHA QUE contribuir com a pregação do evangelho e que toda mulher é importante sim para levar o evangelho às pessoas, ou seja, em 500 anos a reforma fez mais pelas mulheres do que tudo que fez até hoje o movimento feminista. Tanto que nas sociedades onde o protestantismo foi a base para a política é possível ver mulheres facilmente tendo destaque, por exemplo, a Alemanha hoje é governada por uma mulher, a Inglaterra da mesma maneira, e tantas outras como Margareth Thatcher. Nas sociedades protestantes devemos dar destaques às rainhas da Inglaterra que sempre foram tratadas com total respeito por todos e venerada pela sociedade britânica. Diferente dos países onde há mais católicos, as sociedades protestantes tem uma visão menos conservadora acerca dos papéis do homem e da mulher.

Outra mulher de papel notável foi Idelette de Bure, ou Senhora Calvino, foi a mulher com quem Calvino conviveu até o fim de sua vida. Lutero tinha gota e sofreu de enxaqueca durante 13 anos, e foi através de Idelette que ele buscava alento para se acalmar e prosseguir nas escritas de suas obras, Idelette foi tratada por Calvino como “a excelente companheira da sua vida e sempre fiel assistente de seu ministério.”.

No geral, a reforma tratou de modo voraz a participação ativa das mulheres nos dogmas religiosos. Lutero deixou claro que homens e mulheres têm total acesso a Deus e que as tradições católicas de subjugar o feminino não poderiam valer mais do que as Escrituras. A reforma pregou, em seu desenrolar, que todos deveriam ser batizados e que ninguém deveria ser excluso de nenhum processo, como dito antes, a reforma queria levar o conhecimento a todos, pregar a Bíblia a todos e fazer com que essas pessoas saíssem do catolicismo, que não mais estivessem aprisionadas pelas amarras católicas.

Com isso as mulheres passaram a ter a mesma importância que a Bíblia dá a Áquila, a Débora, a própria Maria, mãe de Jesus, e tantas outras que a história mostra que foram mais do que importantes para o processo de formação da nossa sociedade.

 Autor: Paulo Ricardo Lima – Pregador, Palestrante DESMOTIVACIONAL, Teólogo de Boteco.

http://www.luteranos.com.br/conteudo/katharina-von-bora-1

http://blog.culturainglesa-ce.com.br/reino-unido/mulheres-importantes-na-historia-do-reino-unido-dia-da-mulher

https://renovadaspelagraca.wordpress.com/2014/10/31/mulheres-da-reforma-3-idelette-calvino/

http://www.luteranos.com.br/textos/500-anos-de-reforma-protestante-e-as-mulheres