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Devocional do Boteco: A luz do mundo

Eu sou a luz do mundo.

Quando eu era criança, a casa onde eu morava ficava num bairro bem periférico. Eu lembro que tinha muita queda de energia, e muitas vezes passamos várias noites sem luz, ventilador e afins. Sempre que íamos dormir, a luz do banheiro ficava acesa, porque eu entrava em pânico se acordasse durante a noite e visse tudo apagado. O tempo que levava entre a queda de energia e meus pais acharem a gaveta onde as velas ficavam e acendê-las pra que a gente pudesse ter um pouco de luz naquele escuro, era de uns 5 ou 10 minutos.

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Meus pais me mandavam ficar sentada na cama, sem me mexer, até que as velas estivessem acesas e eu pudesse ver pra onde estava indo. Eram os minutos mais longos da minha vida, mas era um alívio indescritível que eu sentia quando via aquelas pequenas chamas amarelas, que ao mesmo tempo em que iluminavam, e também aqueciam. Acho que todo mundo já se encontrou numa situação total de trevas, daquela que não se enxerga um centímetro na sua frente. Onde parece que todos os sentidos que você tem só servem para te atrapalhar. Você não consegue identificar as coisas em que toca, os barulhos que você ouve só servem para te deixar mais assustado.

É essa a situação na qual o homem se encontra, de forma natural, e em toda a sua vida, e com um bônus: ele é cego. Então, apesar de estar no escuro, se a luz “aparece”, ele não pode vê-la, porque não é sensível a ela. Calvino fala, nas institutas, que “a palavra de Deus é semelhante ao sol: ilumina a todos a quem é pregada, mas não produz fruto entre os cegos”. E, nessa parte, todos nós somos, por natureza, cegos. Por isso não pode penetrar em nossa mente, a não ser pelo aceso que lhe dá o Espírito, esse mestre interior, com sua iluminação. Na minha infância eu não entendia o desespero por medo do escuro. Hoje, eu vejo que aquilo ilustra meus anos de cegueira, meus anos sem Cristo. Apavorada, com medo de tudo o que ocorria ao meu redor, como se os olhos que eu tinha de nada servissem. Como se aquela agonia nunca fosse acabar, procurando algo a que eu pudesse me agarrar, algo que pudesse me guiar num meio tão grande de trevas.

O escuro é desesperador porque o homem permanece impotente. Porque, a não ser que venha alguém que lhe segure a mão e lhe guie, ele permanece inerte por um tempo infinito. Porque a aflição de encontrar uma ameaça desconhecida e não poder avaliar se luta ou corre, é grande demais. É por isso que dizer que o homem pode, por si só, chegar a Deus é absurdo. Como pode um cego identificar a Luz? Como pode um pecador merecer o amor perfeito do Criador de todas as coisas?

O Senhor é a minha luz e a minha salvação;
de quem terei temor?
O Senhor é o meu forte refúgio;
de quem terei medo? (Salmo 27.1)

A luz nasce sobre o justo
e a alegria sobre os retos de coração. (Salmo 97.11)

A vereda do justo
é como a luz da alvorada,
que brilha cada vez mais
até a plena claridade do dia.

Mas o caminho dos ímpios
é como densas trevas;
nem sequer sabem em que tropeçam. (Provérbios 4.18)

A luz é agradável, é bom ver o sol. (Ec 11.7) Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más. (Jo 3.19) Falando novamente ao povo, Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida”.(Jo 8.12)

Autora: Katarina Von Maciel – Blogueira

 

Fontes: João Calvino. A instituição da religião cristã. Tomo II. São Paulo: Unesp, 2009, p. 58-59.