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Usos e costumes judaicos – Curiosidades da cultura judaica.

O costume é o que ajuda o povo judeu a não se perder, mas, e quanto a nós, o que temos? 

 

O que significa?

O termo “judeu” é usado para se referir a um grupo religioso do oriente médio, qualquer filho de mãe judia, é judeu, mas, há outra forma de se tornar judeu que é:

“caso não tenha qualquer origem, o indivíduo pode se converter, mas deve seguir as condições da Halachá (conjunto de leis da religião judaica), incluindo circuncisão (para o homem), imersão num micvê casher (micvê significa “junção” (de águas) de fonte natural; ele se parece com uma piscina, mas sua concepção envolve detalhes minuciosos da lei judaica para que receba o status de casher (apropriada) para uso ritual pela comunidade judaica), além da aceitação de todos os mandamentos da Torá (os primeiros cinco livros da Tanakh, o cânon da Bíblia hebraica). Outra condição haláchica é que a conversão deve ser supervisionada por um Bet Din (Tribunal Rabínico) composto por eruditos, que aceitem a autoridade divina da Halachá e a seguem em suas vidas cotidianas.”  (explicação do rito para se tornar judeu, por Emerson Santiago- escritor do ‘info-escola’).

Nas palavras de Michael Freund: “A religião judaica, caracteriza-se por ser uma religião de prática. O judaísmo não é somente uma religião monoteísta, mas sim, também, uma fé composta por leis e costumes que guiam o judeu em sua vida diária: desde o despertar até o fim do dia.”.

Então, o que aprendemos é que o judaísmo não é uma simples religião baseada na fé, esta, encontra-se presente no cotidiano e seus costumes também falam alto, fazendo com o que seus membros criem raízes e passe de geração a geração. Podemos dizer que por causa desses costumes tão bem colocados, é uma das únicas religiões em que “entra ano e sai ano”, e seus preceitos não mudam, desde crianças até adultos podem ser identificados como tal, por meio de suas ações.

Talvez o que falta nos dias de hoje, nas religiões pregadas, falo por testemunho pessoal é exatamente isso: RAÍZ!  Nós não temos raízes, não temos costumes, não deixamos legado e ignoramos as crianças por serem “inocentes” demais para aprender alguma coisa. Com isso, a cada ano que se passa ao invés da verdadeira igreja crescer, ela se divide em várias, cada uma com seu costume que, de certa maneira, agradará os seus membros e consequentemente, irá atrair somente aquele público específico, e muitas das vezes, fazem questão de excluir uns e outros por serem diferentes, resumindo, Nós não somos “um” como deveríamos ser.

Os costumes dos judeus são a sua identidade, e nós, evangélicos, na melhor das hipóteses, não possuímos nenhuma identidade que nos caracterize como tais, na pior delas, nossa identidade tem sido sinônimo de desunião.

 

Sobre essa cultura…

Todos nós compreendemos como são importantes os costumes para a religião judaica, correto?   Agora, veremos alguns deles, talvez, possa parecer estranho ou pouco comum, mas garanto que vale a pena. Não irei relatar todos os costumes, apenas os escolhidos para que possamos ver as diferenças entre nossa cultura e a deles.

 

  Varrer a casa de fora para dentro.

Sim, alguns judeus varrem suas casas de fora para dentro, mas é claro que não é por mero capricho, tudo tem um significado, nessa situação não seria diferente, afinal, porque fazem isso? É sugerido que utilizem do hábito de varrer a casa de fora para dentro, isso era utilizado para evitar que a sujeira ficasse acumulada junto ao umbral, o lugar onde é fixada a Mezuzá (pergaminho que contêm a oração do “Shemá Israel – Escuta Israel”, fixado nos umbrais das casas judaicas).

Então aqui podemos ver o tamanho da reverência, do respeito que o povo judeu tem com escrituras sagradas, nos mínimos detalhes detraímos respeito, não varrer a casa de dentro para fora para não correr o risco de acumular poeira nos umbrais, porque lá está afixada uma oração.

Às vezes, pensamos ser bobagem certos tipos de costume, afinal, são somente letras, ou um pedaço de papel, mas, não é sobre o bem material, e sim sobre o bem emocional/espiritual, talvez quando vamos ler a Bíblia (que pode ser que esteja debaixo da cama, no chão e cheia de poeira por cima), não pensamos nem por um instante em reverência por ser somente papel de seda escrito, e literalmente é! Mas o que vale é o significado que aquilo tem pra mim, quando algo é valioso, geralmente, temos um lugar especial para guardar, ou seja, em pequenas atitudes observamos que invertemos os valores das coisas, dando preferência ao que é, de fato, menos importante.

Jejuns

Um costume que sem dúvidas, deveria ser seguido por nós, são os jejuns, mas, diferente do que conhecemos, vamos ao exemplo do Tishá Beav  -“jejum do nono dia do mês”- eles fazem  esse jejum em referência à destruição do Beit Hamikdash (templo sagrado de Jerusalém), sempre que fazem, com certeza recordam o acontecimento e refletem.

Para analisar esse costume, vamos levantar um ponto importante. O ser humano se esquece muito facilmente das coisas, por mais que sejam importantes. Por exemplo, se não fosse tomada a Santa Ceia nos cultos, talvez o povo iria se esquecer  do sacrifício que Jesus fez por nós na cruz ou talvez lembrassem,  se tivessem costume de ler a Bíblia, mas, como isso não acontece,  concluímos então, que não lembrariam.

Pois bem, um acontecimento como a destruição do templo sagrado de Jerusalém marcou a história judaica, e por isso, desde então eles fazem esse jejum para se lembrar. Quantos acontecimentos foram marcantes para nós, mas já esquecemos, como é possível ser grato à Deus por uma coisa que não lembramos?

Uma dica valiosa que aprendemos é tirar um dia para refletir sobre aquilo que Deus fez por nós. Faça uma lista desses acontecimentos, e tire um dia por mês para jejuar e agradecer a Ele por isso use como reflexão, para lembrar quem realmente você é, afinal, jejum não é para ficar pedindo coisas, certo?

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Circuncisão

Conhecido por muitos em nosso meio, o costume mais comum e também o mais citado é a circuncisão.

A circuncisão é o ato de retirar a pele do prepúcio, obviamente, somente se encaixa aos homens, mas, não tiraram isso do nada, lá em Gênesis 17 diz “Esta é a minha aliança com você e com os seus descendentes, aliança que terá que ser guardada: Todos os do sexo masculino entre vocês serão circuncidados na carne.”
Terão que fazer essa marca, que será o sinal da aliança entre mim e vocês.
Da sua geração em diante, todo menino de oito dias de idade entre vocês terá que ser circuncidado, tanto os nascidos em sua casa quanto os que forem comprados de estrangeiros e que não forem descendentes de vocês.
Sejam nascidos em sua casa, sejam comprados, terão que ser circuncidados. Minha aliança, marcada no corpo de vocês, será uma aliança perpétua.
Qualquer do sexo masculino que for incircunciso, que não tiver sido circuncidado, será eliminado do meio do seu povo; quebrou a minha aliança”.

Neste momento, Deus firmou uma aliança com Abraão e começou a separar o seu povo, e a partir daí também nasceu à primeira linhagem judia, e até hoje, quando é nascido um menino, este, é circuncidado. No entanto, além de ter sido uma ordenança da parte de Deus, a circuncisão é indicada para qualquer homem, pois, quando retirada essa pele, diversas doenças são prevenidas, então, hoje se nascido um menino é bem comum já fazer essa circuncisão quando pequeno. Aqui detraímos que Deus não somente teve uma ideia louca e ordenou que os homens fizessem tal ato, Ele, como onisciente, já sabia que faria bem ao seu povo.

 

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Conclusão:

Alguns costumes, para nós, parecem bobos, mas, na verdade, há um significado extremamente importante e não simplesmente um ato qualquer.

E, apesar de você já ter uma religião, ainda tem muito que aprender com outras, claro, nossos valores são inegociáveis, mas o conhecimento é sempre válido!

Autora: Branda Shammai – Blogueira