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Será que a “água” milagrosa é mesmo milagrosa?

A água milagrosa e o efeito placebo.

Você já ouviu falar de placebo? Sabe qual a relação dele com os diversos “milagres” ocorridos com determinados tratamentos feitos em igrejas neopentecostais, tais como a igreja universal? Pois bem.

A palavra “placebo” vem do latim placere, significa “agradarei”, e segundo o dicionário médico Hooper, significa “um fármaco ou procedimento inerte (sem princípios ativos) que produz efeito benéfico ou maléfico à saúde de um indivíduo”. Neste sentido, o placebo é qualquer medicamento ou tratamento que não faz uso de substâncias químicas, comprovadas cientificamente, com fins de cura ou melhora do quadro clínico, podendo ser usadas pílulas de açúcar e farinha, injeções de soro, bombons M&M, capim ou qualquer outro mato, ou simplesmente um copo de água sobre a televisão.

Muito se tem discutido no campo acadêmico a respeito dos supostos efeitos de cura de tal recurso, entretanto um consenso é bem claro, “placebo não cura, apenas causa melhora de determinados sintomas”. Isso ocorre devido ao poder da mente, algo que a psicologia chama de “impregnação Mental”, que nada mais é que a força da mente agindo sobre o corpo. Conforme explica Mesquita (2008), para que ele possa funcionar é necessário criar um contexto de confiança, aceitação e expectativa positiva, onde o indivíduo sinta-se envolvido no clima, pois o contexto é fundamental para aumentar a crença na mente de que algo bom vai acontecer.

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Estudos da década de 90 já procuravam explicar os efeitos de melhoras causados pelo uso do placebo. Segundo Pires (2010), duas teorias são claramente aceitas. O condicionamento clássico ou pavloviano, onde através de uma resposta inconsciente, gradativamente há uma melhora nas condições fisiológicas do indivíduo, que passa a se adaptar com o uso da substância. Com isto, a pessoa que faz o uso da substância inerte várias vezes apresentará respostas cada vez maiores. Também, pessoas que recebem o tratamento inicial com um fármaco, e depois passam a receber o placebo, podem apresentar os mesmos efeitos, com o organismo respondendo da mesma forma.

Outra teoria é o mecanismo consciente de duas partes, nesse sentido ocorre à expectativa de recompensa, onde a crença (Impregnação Mental) ativa a rede de recompensas no cérebro, motivando o paciente e refletindo na sua recuperação; é a modulação da ansiedade, onde o paciente (fiel) ao ouvir do psicólogo (líder espiritual, pastor, apostolo, profeta), por exemplo, que a dor reduzirá, apresentará redução da ansiedade devido à libertação de neurotransmissores. Em ambos os casos, ao saber que estava fazendo o uso de um placebo, o tratamento perderá seu efeito.

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O que o “líder espiritual” dessas determinadas “igrejas” fazem, é aproveitar-se da fragilidade e do momento de desespero dos fiéis (cegos espiritualmente), que em busca de cura para seus problemas procuram esses ambientes de confiança, conforto e expectativa positiva. Lá eles são induzidos, por meio de falsos testemunhos, a acreditarem que a sua cura está no Tratamento Milagroso com Água do Céu (ou de qualquer bica, onde o falso profeta encheu a garrafinha), entretanto a Bíblia (palavra de Deus) nos ensina em Tiago 5.13 -15, que se quisermos ser curados de nossas enfermidades devemos buscar isso em oração, e não em unções ou qualquer outro mecanismo de misticismo espiritual, que busca apenas o enriquecimento do falso mestre. Afinal de contas, quem não pagaria uma grana alta por uma água que cura “instantaneamente” em dezenas de seções?!

Autor: Hyago Augusto – Blogueiro.