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#Reforma500 – A história da reforma Protestante| Especial TODOS os capítulos.

Capitulo 1 -O surgimento da Reforma

Começaremos a partir deste texto uma série sobre a reforma protestante e os reformadores, contando algumas curiosidades, introdução histórica e comparações com a atualidade da igreja de modo geral. Espero que vocês gostem do que será abordado daqui para frente.

Temos que agradecer muito aos reformadores, eles introduziram a ideia na sociedade ocidental que sim, um mesmo país ou região poderia tranquilamente (ou não) conviver com outra. Lutero, com a ideia da reforma foi um dos precursores do que entendemos como laicidade estatal, que é a permanência de várias religiões no estado, sem que esse tenha uma religião oficial ou pelo menos não “formalmente”.

A reforma se inicia historicamente no finalzinho do século XVI quando a venda de indulgências na igreja católica estava a todo vapor. Para quem não sabe as indulgências eram objetos, papéis ou coisas do tipo, que a igreja vendia para a pessoa que quisesse ser salva, e ainda tinha uns objetos “santos” como pedaços de lascas da cruz de Cristo e etc. Ou seja, para ser salvo era só na base do pagamento, a pessoa ainda recebia um “diploma” como se fosse um recibo de que a sua salvação estava comprada.

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Só que um belo dia, um “monge” chamado Martin Luther, ou Martinho para os íntimos (sim, pode rir que a piada foi infame). Martinho, em 1508 tornou-se professor de teologia na Universidade de Wittenberg, em 1509 ele vai à Roma (ba dum tss) e volta decepcionado com a venda das indulgências e do “destempero” da igreja católica em “destruir” tudo aquilo que ele já havia estudado das escrituras, Lutero então, em 1512, torna-se doutor em teologia e é nomeado “vigário”, sendo autoridade na maioria dos monastérios da região de Wittenberg além de boa parte da Alemanha. Lutero também estudou grego e hebraico e se especializou na interpretação das escrituras e foi ai que a coisa começou a acontecer.

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Martin Luther

Lutero começou a ver, no estudo mais aprofundado a diferença entre o que a Bíblia dizia e o que a igreja católica pregava durante o papado de Leão X; a venda de indulgências estava de uma maneira tão “exacerbada” que a gente pode comparar a uma igreja universal, por exemplo, a coisa era fora do normal. Vendo isso, Lutero compra uma briga com os cachorros grandes da época e então faz em 31 de outubro de 1517, o que a gente conhece como o “estopim” da reforma que é a pregação das 95 teses sobre as indulgências na porta da igreja de todos os santos, lá em Wittenberg, conhecida também como igreja do castelo.

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E aí meu amigo, a coisa deu uma treta maligna! Lutero pregava que a salvação não podia ser comprada, que a salvação não era por meio da venda de artigos exotéricos ou certificados que a igreja podia ou não emitir para comprovar a salvação de alguém, Lutero pregou que a salvação na verdade era pela fé e isso não vinha de nós e sim era pela graça, ou seja, um dom divino assim como diz a Bíblia em Efésios 2:8.

Só que aí, o Papa sabendo o que havia ocorrido ficou, como a gente diz aqui na Bahia “Virado na desgraça” com tudo aquilo (aquela regra né pai, mexeu no bolso, o cara sente), ele chegou até dizer frases fortes contra Lutero afirmando que ele seria um “alemão bêbado que escrevera as teses” e ainda diz que “quando estiver sóbrio mudará de opinião”, bem, sorry papa! Lutero prosseguiu nas suas teses e ideias e não estava nenhum pouco bêbado!

Enquanto o papa estava vacilando e achando que Lutero estava virado nos gorós. Lutero já havia tomado “de assalto”, com suas ideias revolucionárias e inovadoras, boa parte da galera na convenção dos agostinianos em Heideberg, onde apresentou a tese sobre a escravidão do homem ao pecado e a graça divina. Desse dia em diante Lutero foi considerado “herege” pela igreja católica.

Porém, o papa sabia que perder Lutero era perder boa parte da Alemanha, considerando sua forte influência na época, além do mais ele ganhava as pessoas com muita facilidade ao apresentar suas teses, então vendo isso, uma figura conhecida como Frederico, o sábio, tentou “proteger” Lutero do papa, fazendo algo para apaziguar a situação e conseguir uma solução pacífica para as discordâncias, só que você acha que deu certo? Bom, em 1519, Lutero decidiu entrar em um “silêncio” contra seus opositores, mas não durou muito tempo.

As teses de Lutero saíram da Alemanha e começaram a rodar a Europa, isso levou a um colapso, gente da França, Inglaterra e Itália, já estavam sabendo o que o alemão estava pregando e passaram inclusive a acompanhá-lo em alguns de seus pensamentos.

Algumas autoridades alemãs como Franz Von Sickingen e Silvestre de Schauenbur queriam manter Lutero sobre sua proteção, Lutero, por sua vez, volta a “falar” e trava algumas disputas ideológicas em Leipzig com alguns humanistas da época, como Erasmo de Roterdão. E sob uma grave crise nos ideais da igreja Alemanha, Lutero decidiu escrever o que o povo chama de “À Nobreza Cristã da Nação Alemã” ,em 1520, isso chegou às mãos do papa. Lutero foi inventar de chamar o papa de anticristo e listar alguns abusos eclesiásticos indo além das indulgências. Uma dessas denúncias e pedidos foi “A abolição das rendas do papa”, como eu disse antes, mexeu no bolso, já era. Esse tipo de ideia não era aceita nem a pau! Mexam em tudo, mas não mexam na conta do papa!

Lutero fez um verdadeiro relatório, propondo o fim do celibato, reconhecimento de governos extra-católicos, abolição de peregrinações que causavam dor e autoflagelação e por aí vai. Bom, sabendo disso o Papa Leão X ficou uma onça, e decidiu então expurgar ou excomungar Lutero da igreja. Lutero responde ao papa com uma frase que doeu até meu pâncreas “Eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus” no seu escrito “A Liberdade de um Cristão”.

Depois veio a famosa a Dieta de Worms, essa “Dieta” também conhecida como um símbolo dos teclados pelo mundo a “Reichstag” (Ba dum tss) ou Regime. Que mesmo sendo nada saudável na verdade era uma reunião do Sacro Império Romano Germânico, onde o imperador Carlos V convidou Lutero a renunciar seus pensamentos e voltar à normalidade da coisa, porém, Lutero não quis!

Lutero, repeles seus livros e os erros que eles contêm?

Lutero, então, respondeu:

Que se me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão – porque não acredito nem no Papa nem nos concílios já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos – pelos textos da Sagrada Escritura- que citei, estou submetido a minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável.” (Dieta nada saudável a de Worms ein?).

Ou seja, Lutero “mitou” na frente da galera, depois disso ele foi excomungado e exilado no castelo de Wartburg. Em 1530 a coisa começou a se ploriferar de uma maneira que Carlos V teve que fazer inúmeras “hashtags” para tentar apaziguar a coisa, todo mundo já estava sabendo e acreditava fielmente no que Lutero pregava, ao mesmo tempo durante 1520 até 1530 grupos já haviam se formado na França e na Suíça, liderados por Calvino e Zwiglo, na Alemanha quem liderava era Lutero e na Inglaterra Henrique VIII defendeu a igreja católica, mas depois o reino unido, meio que, ‘se rendeu’ ao protestantismo através das ideias de John Knox na Escócia, ao mesmo tempo, nos países baixos, movimentos populares já tomavam fortaleza através de Erasmo de Roterdão e por aí vai.

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Nisso vários movimentos vão começando a ganhar forma: Luteranos, Calvinistas, Anglicanos (que eram católicos só que romperam com Roma), Anabatistas, e outros conhecidos apenas como ‘reformados’.

Esses movimentos tinham na verdade uma grande discordância da igreja católica, algumas entre si, mas todos tinham o mesmo objetivo que era derrubar a hegemonia do catolicismo da Europa, todos batalharam de maneiras diferentes pelo mesmo objetivo, porém o protestantismo tem um erro desde seu início, ele se “divide demais” e essas divisões causaram discussões, mortes e guerras.

Capitulo 2 – Movimentos da Reforma

Os movimentos gerados a partir da reforma foram muito importantes para o processo de formação da nova religião, ou (se você preferir) da nova vertente cristã que estava se formando. Lutero estava ficando velho, então seus precursores, em várias regiões da Europa, propagaram suas ideias e feitos, da mesma maneira que a propagação do evangelho estava a todo vapor.

Basicamente, os pontos que foram base da reforma protestante estavam a cada momento se tornando mais populares, um bom exemplo disso são nações que pautaram suas ideologias, leis e cultura a partir da reforma protestante, países como Alemanha, Reino Unido e Suíça tiveram o protestantismo como uma base da sua sociedade.

Os movimentos criados a partir da reforma são:

Igrejas Reformadas – As igrejas reformadas são o conjunto da obra, (o presbiterianismo, de modo geral) surgem através dos primeiros “sínodos” da reforma, os primeiros “concílios” e formações de constituições para dar um norte sobre qual fé e pensamento as pessoas deveriam seguir. A primeira confissão de uma igreja reformada foi a mesma confissão Luterana de 1524 logo depois do “auê”, todo os reformadores “destacados” no movimento se reuniram para assinar um tratado de união em prol de algo, nomes como Ulrico Zuínglio, João Calvino, Martin Bucer, William Farel, Heinrich Bullinger, Pietro Martire Vermigli, Teodoro de Beza, e John Knox, decidiram levar as ideias de Lutero para seus países e assim começa a dar forma ao protestantismo com as suas diretrizes e pensamentos.

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Luteranismo – Formou-se a partir das ideias maciças de Lutero, das 95 teses e é um dos seguimentos mais “raiz” do protestantismo, basicamente o luterano tem até algumas doutrinas muito parecidas com as da igreja católica como vestimentas, os ornamentos dos cultos, o modelo cultual. Porque erra quem pensa que Lutero queria acabar com a igreja católica, isso é mentira, Lutero queria “reformar”, desconstruir certas ideias e preceitos. Seu movimento tomou proporções absurdas de modo que as ideias dele foram se transformando ao longo do tempo, e ele não teve como conter o avanço da formação de uma nova igreja.

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Rosa de Lutero, simbolo dos Luteranos

Calvinismo – O movimento calvinista, há quem diga que surgiu de João Calvino, particularmente eu acredito que ele surja muito antes da reforma protestante com São Tomás de Aquino e Santo Agostinho de Hípona, que deram em suas épocas, antes de Calvino, contribuições intelectuais para o surgimento da reforma, de modo geral. A questão é que apenas em Calvino, as ideias que formam o calvinismo atual, ganharam um ‘norte’ e então foi carimbada pelo seu “precursor”. Calvino foi um dos mais estudiosos da bíblia depois de Lutero e é o autor das Institutas da Religião Cristã, em 4 volumes Calvino põe na mesa uma nova cosmovisão incluindo algumas ideias luteranas sobre o Cristianismo. Em geral, Calvino é o ponto chave para o surgimento de uma nova religião e não só o prosseguimento da “reforma” da igreja católica, mas sim, da formação de uma nova igreja.

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Brasão CALVINISTA

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John Calvin

 

 

 

 

 

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John Knox

 

 

Igreja Anglicana – O anglicanismo já existia desde meados do século XIII. A igreja anglicana era uma ramificação do catolicismo com algumas discordâncias, porém como era a igreja da maioria dos britânicos era importante tê-la como “um aliado para os católicos” digamos assim. As relações com a igreja católica ficaram bem hostis na guerra dos 100 anos e a reforma logo no século seguinte foi o ponto X para a separação total. Bom, a reforma na igreja anglicana veio a partir de Henrique VIII que aderiu as ideias de Lutero e Calvino, com a força do teólogo John Wycliff, que foi um expoente, junto com John Knox, para a formação da igreja reformada no Reino Unido, com ideias calvinistas e ornamentações de arte gótica, foi e é até hoje um dos principais braços da reforma, em âmbito geral.

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John Wycliff

Anabatistas – Bom, o “anabatismo” é a ideia de rebatizar as pessoas. Eles eram uma ala mais “hardcore” das vertentes cristãs, não eram organizados porque não eram aceitos e nem eram um grupo mais forte, digamos assim. Eles estavam mais para uma corrente teológica, do que para uma ramificação do movimento. A discordância deles era que o calvinismo, luteranismo e catolicismo acreditavam em um único batismo, e no pedobatismo (batizar crianças). Já o anabatismo batizavam somente os adultos e quem viesse do catolicismo teria que ser batizados novamente ou não seria considerado salvo, ou seja, para os anabatismos os processos católicos estavam errados e precisavam ser corrigidos. Eles foram a corrente doutrinária que mais gerou discórdia com o resto da rapaziada. Um fato interessante é que Lutero mandou matar mais de cem mil anabatistas em 1525 e teve apoio do rei Carlos V, em 1528 e a igreja Luterana perseguiu e matou por muito tempo esses caras.  Lembrando que o anabatismo não é um movimento REFORMADO e sim “não católico”, não confunda, porém eles tiveram um papel importante na formação da reforma, de modo geral, sendo opositores aos Luteranos.

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Bernd Krechting, um dos poucos líderes das

revoltas camponesas anabatistas

Bem, esses são os principais movimentos da reforma protestante no século XVI, vários e vários vieram logo depois como batistas, puritanos, separatistas, metodistas e por aí vai. Entretanto, não cabe falar deles no contexto histórico desse momento, falaremos sobre as derivações dos movimentos reformados em outra etapa de nossos estudos! Nessa série cabe nossa homenagem aos reformadores e aos 500 anos da Reforma protestante.

 

 

 

Capitulo 3: Contrarreforma

Você acha mesmo que Lutero iniciaria todo esse movimento, chegando ao ponto de praticamente formar uma nova religião, mexer no bolso do papa, mexer com o Carlos V, conquistar a igreja anglicana, ter uma grande influência política e religiosa e a igreja católica ia deixar barato?

Negativo jovem mancebo.  A igreja católica iniciou uma caça aos mentores e aos seguidores de Lutero para tentar “abafar” a coisa e não perder seu poder de domínio sobre a Europa. A contrarreforma inicia-se quando Lutero diz que não iria se retratar e nem tirar da cabeça que a igreja estava equivocada, mas ganha força mesmo em meados de 1542, quando o Papa Paulo III decide fazer uma verdadeira “inquisição” aos “hereges”, no caso os protestantes.

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Antes disso, os clérigos romanos faziam de tudo pra reconquistar o povo, devolviam dinheiro de indulgência, ou seja, “fazia qualquer negócio” para reconverter os convertidos ao protestantismo, só que não rolou, eles, então, decidiram usar a força, se através da educação não rola, rolaria então pela espada, depois do pontífice Paulo III iniciar sua própria inquisição, como dito anteriormente, formou-se uma grande pressão na Europa para que o papa fizesse um novo concilio para “reafirmar”, ou mudar alguns preceitos que deixava o povo insatisfeito, até porque em 1545 a reforma tinha se tornado “imparável”.

Concílio é uma reunião de líderes eclesiásticos ou um encontro de revisões e reafirmações de preceitos constituintes das igrejas, dos quais esses, na igreja protestante, foram chamados de “sínodos”. O Papa já estava enfraquecido, e se não houvesse o concílio vários lideres e clérigos iriam tirar os seus apoios ($$$$$$$) do vaticano, foi então que veio a grande ideia do Papa Paulo III: Fazer uma reforma católica! Parece que a moda na época era reformar não é mesmo? HAHAHAHAHA.

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O Papa bolou o concílio de Trento, na Itália, que pasme, durou entre 1545 e 1563, durante esse tempo todo, os caras tiveram grandes ideias, apenas manter aquilo que a igreja já acreditava! Nossa que original! Nesse processo houve três trocas de papas, começou com Paulo III, depois Júlio III, e depois Pio IV, ufa é muito ‘troca-troca’. O princípio da salvação pela fé e boas obras foi mantido, o culto à Virgem Maria e aos santos foi reafirmado, bem como a existência do purgatório, a crença católica manteria as duas origens: a Bíblia e as tradições transmitidas pela Igreja Católica. Ou seja, tanto tempo, para não mudar nada!

Só que eles decidiram deixar mais uma coisa em ênfase nessa pseudoreforma: a infalibilidade do papa. Ou seja, o que o papa disser é lei, é sagrado, é santo e equivale a uma ordem vinda diretamente de Deus, sem que pudesse ser revogada ou questionada. – danadinho esses papas, né não?

Essa reforma aí dos católicos teve alguns destaques históricos, eles fizeram o “Tribunal do Santo Ofício” e como eu já havia dito, a Inquisição foi reativada através de um decreto papal chamado de Index Librorum Prohibitorum (e eu sei que você tentou repetir isso com a voz dos italianos), com isso, eles proibiram e censuraram livros, milhares de pessoas foram torturadas e mortas apenas por acreditar no protestantismo, até Galileu Galilei teve que abrir mão de seus estudos e renegar suas descobertas para não ir pra fogueira.

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O propósito disso tudo era conter a reforma protestante em alguns lugares, como a própria Itália, Espanha, Portugal, e conter os avanços da reforma nesses últimos dois países, onde a igreja católica foi tão pioneira nas suas ‘cristianizações’, através das travessias marítimas para África e América foi, junto com Espanha e Portugal, o catolicismo. Voltava ao domínio de tudo pela espada e pela Cruz, usando como escudo e proteção os espanhóis e portugueses. Você, sem dúvida, sabe que a América, de modo geral, exceto os Estados Unidos, foi completamente católica, até a maioria dos países conseguirem as suas independências dos países europeus. Os Estados Unidos tiveram um destino diferente do nosso porque foram colonizados pelos ingleses que eram reformados e calvinistas. Se tivéssemos sido colonizados por esses caras, talvez hoje a gente não tivesse do jeito que está.

Depois do concílio, a igreja recuperou boa parte do que havia perdido com a reforma, meio que com dinheiro em caixa eles deram uma “acalmada” na perseguição aos protestantes e também com a descoberta da América vieram povos prontos para ser ‘evangelizados’ o foco deixou de ser a Europa e passou a ser a América, o novo mundo era o que necessitava da atenção do papa e da igreja. Porém, a reforma protestante durante esse período ganhou força entre o povo, entre a igreja (a nova igreja) e chegou às universidades, tomando a parte “intelectual” da Europa e começando um processo que eu apelido de “metanóia” do período.

As perseguições, mortes e tudo mais não foram suficientes para parar o avanço da pregação, Lutero até chega a dizer que: “Eu me opus às indulgências e aos papistas, mas nunca pela força. Eu simplesmente ensinei, preguei e traduzi a Palavra de Deus; fora isso, não fiz mais nada. E enquanto eu dormia ou bebia a cerveja de Wittenberg com meus amigos Phillip e Amsdorf, a Palavra enfraqueceu o papado de tal forma que nenhum príncipe ou imperador jamais seria capaz. Eu não fiz nada; a Palavra fez tudo”

Capitulo 4 – Os Erros da Reforma Protestante

A reforma, de modo geral, teve inúmeros pontos positivos e outros que nem tão positivos assim, há quem diga que a obra de Lutero e dos reformadores foi algo ‘perfeito’, só que não! Lutero e os reformadores cometeram muitos erros no processo de reforma. É lógico que sem a atitude de Lutero de pregar as 95 teses e de ter confrontado o papa e batido de frente com a igreja, até hoje estaríamos com uma religião absoluta nos estados (países) e rezando missas em latim.

Ninguém, ao citar os erros pode fazer deles um panteão para desqualificar a obra da reforma, no capítulo um eu deixei claro que Lutero foi o primeiro com ideias de “iluminismo” cerca de 200 anos antes, a ideia da laicidade estatal é um ponto positivíssimo no processo de formação do ocidente.

O primeiro erro cabal e mais grosseiro, depois do que podemos chamar de “inquisição protestante” (falaremos já, já), foram as más divisões entre os pensamentos de cada reformador, o problema mais atual e mais latente é aquele do ‘todo mundo pensa de uma maneira’, bom, naquela época essa parada já era sinistra entre eles. Lutero acreditava nas coisas de uma forma, Calvino de outra e por aí vai, como já dito o objetivo deles era sair e desconciliar o novo ideal da igreja católica, enquanto Lutero queria fazer do “redescobrimento” da Bíblia regras substituintes do catolicismo, ou seja, ele queria implantar suas ideias na igreja católica e não fazer uma nova igreja.

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Essa divisão fez com que Lutero fundasse a igreja luterana e cada um dos outros reformadores, ou se juntaram para fazer uma nova vertente, ou seguiram para tentar reformar o Anglicanismo. Por exemplo, o presbiterianismo tem origem na reforma a partir de João Calvino, John Knox, Guilherme Farel, Teodoro de Beza e Ulrico Zuinglio, na Escócia, Suíça, França e nos Países Baixos. Já na Alemanha, Lutero, Felipe Melancton estavam a todo vapor com criação e formação do Luteranismo, no Reino Unido, John Wycliff, Henrique VIII, e também John Knox novamente fundavam o anglicanismo que era o calvinismo com o nome de faixada.

Essas divisões e subdivisões geraram um mal costume entre os protestantes que vigora até hoje, e isso tomou proporções tão absurdas que é difícil até de contar quantas congregações temos e quantas vertentes existem, só no Brasil mais de 14 mil igrejas são criadas por ano, quase uma por hora!

O segundo erro, e o mais desgraçado dos protestantes, na minha visão, foi a matança dos anabatistas e aos humanistas, e a mistura do estado com a religião.

Lutero meio que forma uma milícia protestante, e no meio de toda religião há seus extremistas, lembrando que, todo mundo erra e nenhum movimento, por mais legítimo que seja, é o perfeito. NUNCA É. Não importa no que você crê TUDO TEM ERRO.  Então nunca seja fanático de um movimento X ou Y, tudo em excesso faz mal.

Essa milícia foi ordenada a matar os anabatistas e fazer uma espécie de caça às bruxas. Os anabatistas não eram nem católicos e nem protestantes, eles eram um grupo avulso que acreditava que tudo que a igreja católica fazia estava errado e discordava dos reformadores no pedobatismo e pregavam o rebatismo para anular o batismo católico, não havia um líder exato dos anabatistas, não eram um grupo organizado, e foram tidos como hereges pelos protestantes e morreram mais de 30 mil anabatistas nessa brincadeira de discordar da igreja católica e da reforma protestante. Em 1524 esse evento ficou conhecido como guerra dos camponeses, foi um verdadeiro caos.  No total, mais de 100 mil foram mortos devido a extensão do conflito de “Lutero” para “Carlos V”, os caras causaram uma briga com os protestantes e também com os católicos. Anota aí, 30 dos protestantes, mais 70 dos católicos. A igreja católica sempre matou mais que todo mundo.

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Ah, e NUNCA ACHE que os Anabatistas eram pessoas que também não matavam, que eram as vitimas, não eram, eles também matavam, perseguiam e pilhavam, porém em proporções menores pois não tinham muito espaço na sociedade.

É como eu disse a mistura da religião com o estado. Um destaque disso é o Reino Unido e a Suíça, que introduziram em seus parlamentos tradições e dogmas protestantes. Episódios como a promoção da morte de bispos católicos pela igreja Anglicana, motivada pela briga pessoal de Henrique VIII com o vaticano e a tortura e morte de humanistas e anabatistas da Suíça.

Caso Servetus. – Esse é o caso mais controversos da reforma e da continuação dela. Primeiro, porque hoje, o ativismo arminiano que é quase um esquerdismo dentro do cristianismo (é muito popular, mas nunca deu certo e está sempre errado), acusam veementemente que Calvino MATOU Servetus.

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Miguel Servetus era um humanista espanhol, que inventou de ir pra Genebra na Suíça no auge do governo protestante pregar suas teses, entenda que, na época o humanismo e o antropocentrismo que é colocar o homem como centro de tudo, era visto como uma heresia gravíssima, e ainda mais na primeira cidade-estado tipicamente e exclusivamente protestante. O cara foi justamente caçar briga com os protestantes, que já estavam em guerra com os camponeses e católicos e ainda aparece um maluco do nada querendo atacar a ideia com os caras.

Bom, Servetus foi condenado fogueira pelos juízes de Genebra por heresia, e aí é que vem um detalhe técnico. João Calvino não matou Servetus porque ele não tinha autoridade para isso, a maioria dos reformadores acreditavam que a heresia tinha que ser tratada como era tratada no catolicismo e no judaísmo: morte aos hereges! Ou seja, ele se ferrou, só que Calvino, mesmo fazendo parte da elite intelectual do governo genebrino, não tinha cargo público e nem era juiz, e vendo que Servetus ia ser condenado a fogueira, ele interviu para que Servetus fosse morto na guilhotina de maneira mais “branda”, ou seja, Calvino ainda foi um piedoso concordante de que queria aliviar a barra de Sevetus e hoje culpam o cara por uma morte que não foi ele que provocou. Basicamente Servetus cavou a própria cova.

Bom, esses foram alguns erros da igreja protestante de modo geral, em seu início, como dito, nenhum movimento é perfeito, nenhum movimento abrange em sua totalidade uma infalibilidade seja ideológica, seja prática.

 

Capitulo 5 – Pós-reforma

Para que você comece a ter uma compreensão total da reforma, a pós-reforma é um dos momentos mais importantes da reforma, pois após a tempestade vem a bonança? Certo? Talvez.

A junção da teologia com a política e os novos estados eclesiásticos reformados estavam começando a tomar forma e outros já estavam consolidados, depois da morte de Lutero em 1546, os reformadores tomaram vários expoentes e frentes do movimento, como eu já havia dito, essas divisões e subdivisões geraram conflitos de interesses.

Começou, então, depois de 1563, a expansão protestante na Europa, o que já havia se tornado grande, agora consolidara-se na Europa e ganhou forças absurdas, a queda de braço entre o Catolicismo e o Protestantismo já havia diminuído devido à conquista da América e da África e o protestantismo só crescia. Com a morte dos reformadores originais, surgiram mais movimentos e deu-se a ascensão de mais líderes.

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O século 16 acaba e com tudo que já tínhamos visto era fácil de afirmar que a nova igreja não iria “vingar”, divida, cheia de expoentes, cheia de ensinos, mas não foi o que aconteceu, cada vez mais as pessoas se tornavam protestantes. Inglaterra, Suíça, França, Holanda já eram países declaradamente separados da igreja católica, sendo que nos 2 primeiros a religião oficial eram o Anglicanismo e na outra o Calvinismo, nos demais, em um consolidou-se a divisão do clero, e de lá vieram as revoluções de pensamento iluminista e do outro, além de si mesmo, os outros países ao seu redor também se renderam ao calvinismo e protestantismo. Consequentemente, os países colonizados também iriam aderir ao que os colonizadores tinham como fé, exemplo disso são os Estados Unidos e Austrália.

Século 17 entrando no couro e aí veio os pós-reformados, os PURITANOS que eram conhecidos como ‘trapos do catolicismo’ na Inglaterra, mas que na verdade eram mais favoráveis as igrejas reformadas e calvinistas, e alguns mais “alegrinhos” mais raivosos que eram chamados de separatistas, depois vieram os Quakers, depois os Pietistas e não confunda com petistas, o pau quebra.

Tudo isso dura um século para a consolidação total do protestantismo e seus movimentos.

Vamos organizar aqui numa linha do tempo legal?

Sec 16: Luteranismo, Calvinismo, Anglicanismo Reformado > Sec 17: Puritanos, Separatistas, Quakers e Pietistas.

Os movimentos do Sec. 17 tiveram líderes que merecem o nosso destaque: No puritanismo, Thomas Cartwright, nos separatistas Robert Browne (Brownie é algo bom), nos Quakers era George Fox, nos Pietistas era Philip Jakob Spener. As diferenças entre eles eram básicas:

Os puritanos a brigavam era para purificar a igreja, o culto, a família, a universidade e o governo à luz das Escrituras. Já os separatistas lutavam por uma igreja avivada sem as tradições mecânicas da liturgia católica e anglicana, já os Quakers (Não eram o pessoal que criou a aveia) queriam um cristianismo mais espiritual e atacaram a superficialidade das igrejas na Inglaterra, Já os PIETISTAS eram contrários ao racionalismo que dominava a igreja. Ensinavam a necessidade da santidade e de renunciar o mundo.

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No geral eles queriam pureza nas pregações, pureza nas igrejas, pureza do povo, avivamentos, mais pregação, mais santidade, mais renúncia e é daí que rola o “start” para o evangelho moderno, que é justamente a briga para que as pessoas se mantenham no caminho de Cristo a partir da santidade e dos preceitos amorosos de Jesus. A igreja protestante já havia baixado a espada, já tinha largado ela, os conflitos cessaram e agora o interesse era interno, eles queriam coisas que, na mente deles, eram diferentes, mas que faziam parte de um mesmo contexto e até hoje no meio de nossas igrejas clamamos pelas mesmas coisas.

Eu costumo dizer que a reforma de 500 anos atrás é latente hoje, porque voltaram a vender indulgências, voltaram a vender Jesus, à tirar a pureza do evangelho, começaram a levantar líderes com a mesma infalibilidade papal de Paulo III e sem um concílio de Trento, porque hoje não é só um, são vários, os líderes religiosos estão hoje aos montes se dizendo profetas, bocas de Deus, judaízam nosso povo. Nos aproximam dos católicos no sentido de serem parecidos com aquilo que Lutero se levantou para destruir, são eles hoje apóstolos, bispos, fizeram dos dons verdadeiros cargos, e continuam dia após dia numa verdadeira putaria generalizada de igrejas que deveria ser noivas, mas que na verdade são prostitutas casuais, sodomitas, prostituem os ideias cristãos e aquilo que o próprio cristo pregou.

A reforma também foi o start para o capitalismo e para a proliferação da ideia de que TODOS deveriam saber ler e escrever, principalmente entender as escrituras. Antes da reforma todo governo europeu era feudal, monarca ou clerical, e às vezes os 3 juntos, havia os principados como Roma e o Vaticano, na Itália. Nos governos reformados a venda e a compra eram coisas que consequentemente ficaram avantajados, as pessoas mais bem informadas procuravam sempre a melhora de sua vida produzindo, comprando e vendendo e formando um ciclo de enriquecimento de determinados países.

Hoje os países mais ricos do mundo são capitalistas e tem a fé reformada como base: Estados Unidos, Inglaterra, Escócia, Noruega, Suécia, Holanda, Finlândia, Islândia, Dinamarca, Austrália. Hoje nesses países pelo menos 50% da população é calvinista ou reformada de alguma das vertentes, o maior destaque de todos é os EUA que tem hoje quase 57% da população calvinista, incluindo até o atual presidente Donald Trump.

A reforma influenciou na política, na maneira de se pensar a liberdade individual, principalmente, onde a liberdade a igualdade e a fraternidade se tornaram ideias do movimento iluminista francês e que regeu todos os sistemas políticos, democratas e republicanos de todo o ocidente. O próprio puritanismo é uma das bases para o iluminismo tendo uma grande influência na parte filosófica do movimento.

A reforma causou grandes mudanças na cultura europeia e ocidental, de modo geral, no próximo capítulo vou explicar as influências culturais da reforma, na vida do europeu, nas universidades e etc.

Capitulo 6 – reforma Cultural e Ideológica

Com a reforma veio uma “bagunça”, no bom sentido, sobre tudo aquilo que a igreja católica já havia feito, estatuas foram quebradas, monumentos derrubados, templos conquistados e dominados pelos protestantes, houve pilhagem, morte e destruição durante o período de reforma e contrarreforma.

Ambos os lados influenciaram a cultura ocidental como conhecemos em seus mais variados traços, seja na música, na arte, nas pinturas, tanto os católicos quanto os reformados moldaram a nossa sociedade, o catolicismo moldou-se baseado na tradição romana e o protestantismo o fez a luz das escrituras e dos seus movimentos que buscavam a pureza da sociedade, a exemplo os Quakers e principalmente os puritanos.

Se hoje temos “universidade” acessível devemos agradecer aos reformadores, o ideal da reforma era levar o evangelho a todos de modo claro e objetivo, tanto que Lutero foi o primeiro a traduzir a Bíblia para uma língua de uma grande nação. A primeira tradução das escrituras foi do grego, aramaico e hebraico para o alemão e várias e várias cópias nas mais variadas línguas foram reescritas e retraduzidas. O conceito de universidade e ensino básico para as pessoas era de total detenção apenas do clero e dos nobres da época. A burguesia que eram os trabalhadores e os camponeses na maioria das vezes não tinha acesso a nenhum tipo de escolaridade.

A primeira universidade reformada do mundo foi a Universidade de Marburgo, feita em 1627 no auge da reforma protestante, que já vinha com conceitos e professores inspirados nas ideias liberais de Lutero, depois vieram Königsberg (1544), Jena (1558) e Helmstedt (1575), todas essas na Alemanha, Hedelberg que foi onde Lutero estudou, também foi tomada pelos ideais reformados e principalmente calvinistas. Nesse momento a reforma não era mais só eclesiástica, mas também era também ideológica e cultural. Na suíça Calvino, formou em 1559, a Universidade de Genebra. Na Escócia om John Knox, as Universidades de Glasgow, Saint Adrews e Arberdeen.

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Universidade de Marburgo

As universidades calvinistas de maior destaque foram as inglesas, em ênfase a de Oxford e Cambridge. Todas essas universidades citadas sempre foram de um ensino excelente, de um currículo incontestável superando de ponta a ponta as universidades católicas de Portugal, Espanha e Itália que foram os países onde a reforma foi “bem fraca”, devido o protecionismo de seus reis e imperadores com o clero.

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Só que vocês sabem que nem tudo são flores. Mesmo que o protestantismo tenha feito parte do estopim para o iluminismo, da separação do estado e da igreja em boa parte da Europa, com o advento do iluminismo essas universidades sofreram com o que os historiadores chamam de “secularismo” que é a introdução dos ensinos humanistas dentro de universidades que eram a principio baseadas em uma vertente religiosa. Ou seja, a galera ajuda o iluminismo e os iluministas vão lá e derrubam tudo.

A reforma influenciou vários aspectos do ensino no âmbito técnico, principalmente no ensino da cidadania e dignidade humana, os ensinos de economia que também influenciaram o capitalismo.

Uma das universidades reformadas que até hoje é destaque em tudo que faz e é uma das melhores do mundo é a Universidade de Harvard, seu fundador John Harvard, era pastor e fundou a universidade nas colônias inglesas em Massachussets nos States ainda colonizado pelos ingleses.  Fundada em 1636, até hoje tem seus ideais reformados cravados em seus ensinos. Um detalhe importante é que 7 presidentes americanos passaram por Harvard, os mais famosos são Roosevelt e John Kennedy, a única universidade que se aproxima do feito é a de Yale que tem 5 presidentes no currículo, os destaques são Bill Clinton, Bush Pai e Bush Júnior.

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John Havard (Estatua da Universidade de Havard, EUA)

Bom, na cultura os caras influenciaram, basicamente, na deia de obter lucro a partir das vendas de um determinado produto e de ter quem financiasse os clérigos, a ideia bancária de estocar dinheiro e riquezas no âmbito do início de uma sociedade que se baseia no consumo, produção, fabricação, detenção e retenção é definida por Max Weber como: “A médio prazo a Reforma Protestante, principalmente na forma do calvinismo, influirá todo o desenvolvimento do mercantilismo – o capitalismo comercial – desde o século XVI até o início do XVIII. O protestantismo de Calvino era mais radical que o de Lutero. Este, ainda tinha muitas censuras em relação aos banqueiros, às finanças e ao lucro. Calvino, por sua vez, santificava a empresa do comerciante e do financista e valorizava as virtudes comerciais da economia e da diligência”.

 E disse mais: “Todas as correntes religiosas que contribuíram para o desenvolvimento do capitalismo – os huguenotes na França, os puritanos na Inglaterra, os presbiterianos na Escócia e os protestantes na Holanda – eram todos calvinistas. Defendiam e divulgavam os valores da burguesia (classe média) nascente: dedicação ao trabalho, aversão ao luxo (seja no vestir ou na moradia), prática da economia (e investimento do dinheiro no negócio), aversão aos divertimentos (festas, banquetes, bailes) e dedicação aos estudos e à pesquisa. Sob certos aspectos, o calvinismo estava praticando no mundo o mesmo ascetismo que os monges católicos da Idade Média praticavam nos mosteiros”. Isso você confere no Livro ‘A ética protestante e o Espirito do Capitalismo.

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E sabe o que eu acho? EU ACHO É CERTO! Todas as nações que se basearam na reforma, hoje têm os IDH’s mais altos do mundo, são destaques em suas economias, tem uma prática de livre comércio, estado mínimo e são ricas! Darei-lhe 3 exemplos: EUA, Reino Unido e Suíça. Malvadão esse tal de capitalismo né? Malvadão esse Calvinismo né? O Calvinismo deu ao homem a virtude do empreendedorismo, e isso gerou a revolução industrial e aí a coisa começa a ser percebida de maneira muito importante. Eu costumo dizer que mesmo que a gente não perceba TUDO tem um pouco de teologia no meio e essa é a prova disso.

 

Capitulo 7 – Ideologias da Reforma

A reforma foi pautada nas escrituras e vários pilares ideológico-teológicos contrários à reforma foram revistos, como dito, o ideal inicial era só reformar aquilo que a igreja católica fazia, porém, devido ás proporções adquiridas esse movimento foi tomando forma e força e criando seus próprios pensamentos.

De início, com as 95 teses Lutero visou o combate às indulgências, que já explicamos o que é no Capítulo 1. Então, com essas 95 teses Lutero criou os 5 pontos mais importantes, que são : Sola Gratia, Sola Fide, Solus Cristus, Sola Scriptura, Soli Deo Gloria. Cada um desses pontos tem uma vasta teologia por trás e é totalmente pautada nas escrituras

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A SOLA GRATIA quer dizer: Somente Pela Graça, a Bíblia diz que pela graça somos salvos e isso não vem de nós e sim de Deus, diz que é a graça de Cristo, através de sua morte, salvou a todos os que creem n’Ele. Outro reflexo da graça divina é a misericórdia Divina que se não fosse por ela já teríamos sido condenados, logo depois vem a SOLA FIDE, que quer dizer Somente Pela Fé, a Bíblia relata que a fé é a certeza daquilo que não se vê e a esperança daquilo que se espera e somente pela fé é em Cristo é possível alcançar a graça, a fé é dada a nós por Deus, pois Ele escolhe quem Ele quer que creia N’Ele.  O terceiro é SOLA SCRIPTURA, ou Somente as Escrituras, Paulo orienta a Timóteo em sua segunda carta que o domínio das escrituras era o que fazia um obreiro ser de excelência. A Bíblia é um dos elos mais importantes do que Deus quer falar com a humanidade, a própria Bíblia é onde está à palavra de Deus e somente por ela obtemos as respostas para nossas questões da vida cristã.

Os dois pontos mais importantes, SOLI DEO GLORIA que quer dizer toda glória somente a Deus, devido ao fato de que nosso Deus é único que é digno de receber todo louvor e adoração e não há nenhum outro, nenhum santo católico, nem Maria, nem o papa, nem nenhum outro homem, na religião ou na política, que possa capaz de se comparar ou que possa receber a glória que nós damos a Deus e por último e talvez o mais importante é o SOLUS CRHISTUS, quer dizer somente Cristo, devido ao fato da existência da salvação pela indulgência, Lutero faz a questão de lembrar que TUDO era através de Cristo, seja a graça, seja a intermediação entre o homem e Deus, seja a salvação, ou qualquer outro ponto discutível do evangelho ou da Bíblia, a chave para tudo é CRISTO, Jesus é a resposta , a verdade, o caminho, a verdade e a vida, Ele é o Pão e Água da Vida E NINGUÉM MAIS SENTIRÁ NEM FOME E NEM SEDE SE BEBER E COMER DE JESUS. Ele é a nossa saciedade, Ele é o que morreu na cruz para resgatar o homem que estava morto em seus delitos e pecados, Ele é o nosso Salvador.

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Os princípios da reforma tiveram uma alta complexidade e ao mesmo tempo um entendimento que levava tranquilidade às almas cansadas de tanta exploração católica. As pregações de Lutero em Wittenberg eram memoráveis e libertadoras para as almas cativas. Em 1520, Lutero publicou três obras importantes para sua vida reformada, tratam se de: A Liberdade de um Cristão, Discurso à Nobreza Germânica e O cativeiro Babilônico da Igreja.

Noite e dia eu ponderava, até que via conexão entre a justiça de Deus e a afirmação de que ‘o justo viverá pela sua fé’. Então, entendi que a justiça de Deus é a retidão pela qual a graça e a absoluta misericórdia de Deus nos justificam pela fé. Em razão desta descoberta, senti que renascera e entrara pelas portas abertas do paraíso. Toda Escritura passou a ter um novo significado […] esta passagem de Paulo tornou-se  para mim, o portão para o Céu. – Lutero, Martinho – Lutero e a epistola de Paulo aos Romanos.

O calvinismo fidelizou suas ideologias com as obras de Calvino, Farel, Knox e Teodoro de Beza tendo uma ênfase maior nas institutas da religião cristã, que é até hoje uma das obras mais completas de teologia, política e religião de todos os tempos!

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As institutas, para mim, não são só um norte que me orientam por onde começar a estudar a Bíblia, mas também é o norte de qual teologia e qual Deus os cristãos devem acreditar.

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Nada se compara aos comentários de Calvino sobre as escrituras, o teólogo Jabobus Arminius, precursor do arminianismo disse: Depois da leitura das Escrituras…, e mais do que qualquer outra coisa,… eu recomendo a leitura dos Comentários de Calvino… Pois afirmo que na interpretação das Escrituras Calvino é incomparável, e que seus Comentários são mais valiosos do que qualquer coisa que nos tenha sido legada nos escritos dos pais — tanto assim que atribuo a ele um certo espírito de profecia no qual ele se encontra em uma posição distinta acima de outros, acima da maioria, na verdade, acima de todos.” (Carta escrita a Sebastian Egbertsz, publicada em P. van Limborch e C. Hartsoeker, Praestantium ac Eruditorum Virorum Epistolae Ecclesiasticae et Theologicae (Amsterdam, 1704), nº 101).

Calvino foi extremamente feliz quando fez as institutas e todos os seus comentários e maneiras de ver as coisas são pautadas nas escrituras, os teólogos costumam dizer que Calvino não era calvinista, Calvino era BÍBLICO. Spurgeon, o príncipe dos pregadores, disse em certa feita: “Eu não levanto a bandeira de Calvino. Eu só estou junto com ele balançando a bandeira do verdadeiro Evangelho”.

O calvinismo é até hoje a peça mais fundamental de qualquer vertente do cristianismo, se todos fossem calvinistas, hoje não teríamos os ladrões vestidos de pastores, nem os lobos vestidos de ovelha no âmbito pentecostal, que prostituem o evangelho e deturpam a verdade se igualando aos católicos que Lutero tanto combateu.

Temos também o Anglicanismo que tinha como base a separação de um braço do catolicismo de seu corpo inicial, fazendo-se uma nova vertente reformada que englobou os valores e ideais calvinistas, além de ser o berço do puritanismo no séc. XVII, puritanos esses, que queriam relembrar não só os valores calvinistas, como também a pureza do evangelho, a pureza de uma vida com Cristo baseando-se na santidade.

Os puritanos/anglicanos foram importantíssimos para a pregação do evangelho por sua coragem, e pela maneira de pregar o evangelho. Os puritanos realizaram a assembleia de Westminster entre 1643 e 1649, formando assim uma das maiores obras do protestantismo pós-reforma que é a confissão de fé de Westminster que até hoje é à base da igreja Presbiteriana no mundo todo.

Tendo como base a purificação do anglicanismo e o reforço das ideias calvinistas, que é e sempre será de grande valor -as obras puritanas- é mais do que louvável mencioná-las, pois eles foram a coluna vertebral das igrejas modernas e deram um início a formação de um protestantismo forte frente ao catolicismo, de uma vez por todas.

Capitulo 8 – O Papel da Bíblia na Reforma

As Bíblias de Lutero e de Wycliff foram dois pontos importantes na pré-reforma e na reforma e no decorrer dela. Lutero fomentou a ideia de que tudo era pelas escrituras e somente elas poderiam libertar o homem cativo das ideias do vaticano e seus enganos. Wycliff e Lutero traduziram a Bíblia, pela primeira vez, para línguas de países importantes como Alemanha e Inglaterra, antes de Lutero dezessete traduções já haviam sido feitas, porém nenhumas dessas 17 traduções foram tão completas quanto às de Lutero e Wycliff.

Lutero vocês já conhecem, vou apresentar-lhes John Wycliff o mais importante pré-reformador.

John Wycliff (1328-1384) – Foi professor de teologia em Oxford, é considerado o precursor da reforma, trabalhou na primeira tentativa de tradução da Bíblia para o inglês, ele foi um confrontador aos católicos, em suas aulas ensinava questionamentos à igreja católica e sempre dava em ênfase que o Reino Unido deveria sair do catolicismo, Wycliff foi, por algumas vezes, intimado pelos bispos católicos à Inglaterra, e por fazer duros ataques ao Papa e a igreja, ele causou irritação no clero, sendo que durante isso acontecia à guerra dos cem anos entre França e Inglaterra. Wycliff deixou como legado questionamentos à igreja católica e mostrou como o ensino da verdade incomodava os grandes, esse foi um dos pontos iniciais da reforma.

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A Bíblia de Wycliff é uma parte importante da reforma, não só por ter sido pioneira, mas por ser a primeira tradução pra uma língua de um grande país, o Reino Unido em toda sua história foi responsável por boa parte do cristianismo moderno, principalmente pela fidelidade na tradução das escrituras.  Como eu disse antes, a igreja católica, que em grande maioria usava o latim em suas traduções, que não era um idioma difundido porque cada país falava uma língua diferente e em diferentes dialetos. Sabemos que todas as línguas que usam o “Alfabeto Latino” de A a Z são originais de Roma, porém com o tempo essa língua foi ganhando a característica de cada país, O latim romano, na Alemanha, virou o “Germano”, na França virou francês, só pra você ter noção, até  na Itália, o latim virou o Italiano, e dai veio, a língua catalã, espanhol, inglês, português, e por aí vai, essas línguas são chamadas de “Indo-europeias”.

O latim é a “mãe” das línguas, porém com a formação de novos idiomas a partir do latim, o próprio latim se tornou uma língua PRATICAMENTE morta, e adivinha quem era que só usava o latim? A Igreja Católica. Já com o oportunismo que: Se nem todo mundo fala uma língua, a gente concentra tudo que a gente faz em uma língua e só os nossos entenderão. Sacou? Qual era a ideia? Com isso, o que a igreja falava era lei, regra e era santo e não deveria ser questionado, pois ela tinha o conhecimento e as pessoas não, até porque no séc. XVI só quem tinha escolaridade mínima eram os nobres e adivinha quem mais? O Clero. E pelo Catolicismo até hoje estaríamos assim, porque a tradição católica vem antes que qualquer outro preceito. Imagina aí? VALEU LUTERO! VALEU WYCLIFF!

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Isso é algo tão latente a ser falado que até Wycliff foi chamado de herege por traduzir a Bíblia em inglês, é mole? Veja: “Você diz que é uma heresia falar das Sagradas Escrituras em inglês. Você me chama de herege porque eu traduzo a Bíblia para a língua comum do povo. Você sabe contra quem você está blasfemando? Não foi o Espírito Santo que deu a Palavra de Deus em primeiro lugar na língua materna dos países para o qual ela foi dirigida?” (Fountain, John Wycliffe, pp. 45-47).

Nesse site você conhece toda a história das traduções da bíblia: http://www.wycliffe.net/BTT-PT.html

Lutero teve uma importância maior na questão de termos uma Bíblia PROTESTANTE, a Bíblia evangélica atual tem 66 livros, e tudo na vida tem um motivo. A Bíblia católica tem 73 livros, 7 a mais que a Bíblia protestante, são os livros de Judite, I e II Macabeus, Tobias, Sabedoria, ECLESIÁSTICO (não confunda com Eclesiastes), e Baruc.

Você tem que entender algumas coisas sobre: O cânon Judaico, cânon católico e cânon protestante.

Esses livros são chamados de ‘Deuterocanônicos’, esses livros foram excluídos do cânon de livros judaicos, livros esses que a gente conhece como Velho Testamento. Os católicos confirmaram a presença de 7 dos 14 livros em seu cânon, principalmente no concílio de Trento, aquele lá que durou 20 anos e que serviu só pra reafirmar o que a igreja queria. A igreja católica não teve a “humildade” de pensar que seu cânon pudesse conter erros. Se os próprios judeus, que foram os escritores do VT por qual motivo a gente iria adquiri-los? Não há sentido nenhum. Sendo que na formação do cânon, lá em Constantino no Séc. III, até o Séc. IV, os caras ainda estavam separando e decidindo quais livros iriam ser colocados no NT e simplesmente separaram os que temos hoje; os evangelhos, as cartas dos apóstolos e alguns evangelhos chamados de ‘apócrifos’ foram excluídos do cânon da Bíblia. Ou seja, dois pesos e duas medidas? Vou lhes mostrar o porquê de excluir uns e confirmar a presença de outros.

 

Por exemplo, “Eclesiástico 12:4-7”, dê ao homem piedoso e não ajude a um pecador. Faça bem com aquele que é humilde, mas não dê aos ímpios; segure o seu pão e não dê isso a ele… Dê o bem e não ajude o pecador.

Compare com isso: Dê a todos que lhe pedem. E daquele que tira os seus bens não os recompõe “(Lucas 6: 27,30). “Se o seu inimigo está com fome, alimente-o; se tiver sede, dê-lhe uma bebida; “(Romanos 12:20, Provérbios 25:21)”.

(Extraído de: https://forums.catholic.com/t/supposed-errors-of-the-deuterocanon-books/97619)

E isso é só um erro de uma série de outros erros, Lutero observando isso inaugurou um dos princípios do estudo da Bíblia, que é a INÊRRANCIA da palavra. Ela não pode se contradizer e nem muito menos pregar “antíteses”, ou seja, em uma parte está uma ideia X e logo depois ela refuta com Y, isso gera um conflito dentro da própria Bíblia, fora que, os ideais do livro de Eclesiástico são ideais do PAGANISMO, não ajudar o próximo então está longe de ser cristão ou judaico, não se engane os judeus também ajudavam aos necessitados, o dízimo é um exemplo disso, ele era destinado aos pobres, órfãos e viúvas.

 

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Canon Protestante

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Canon Catolico

 

Esses livros do deuterocanon apresentam como doutrina, veja bem, DOUTRINAS: Histórias fictícias, lendárias e absurdas. Erros históricos, geográficos, ensinam artes mágicas ou de feitiçaria como método de exorcismo, ensinam que esmolas e boas obras limpam os pecados e salvam a alma. Ensinam o perdão dos pecados através das orações, oração pelos mortos; a existência de um lugar chamado PURGATÓRIO, os livros afirmam que os Anjos mentem, que uma mulher jejuava todos os dias de sua vida (Faquir – Pessoa que vive sem comer), e por aí vai. Ou seja, um mar de absurdos.

O que mais impressiona na coisa é: a maioria das mentiras abordadas pelos livros do deuterocanon tem DOUTRINAS CATÓLICAS que são aceitas e praticadas até hoje: salvação pelas obras, purgatório, perdão pelas orações. Ou seja, tudo que favorece a “tradição” católica que tem origem do paganismo, é muito bem aceita dentro do Cânon Católico. Então, o catolicismo se contradiz aceitando coisas da Bíblia que contradizem a própria Bíblia, cê acredita? HAHAHA

A igreja católica sempre teve sua base no ‘pragmatismo’, ela costumava usar como ideologia e como pregação tudo que causava medo, temor e obediência à igreja. Tudo que a favorecia deveria ser usado. A Bíblia de Wycliff, a Bíblia de Huss, e principalmente a de Lutero geraram novas ideias de pregação não pragmáticas, que ao invés de cativar pelo medo as pessoas, elas cativavam o PECADOR pela graça e pelo temor a Deus.

 Capitulo 9 – O Papel das mulheres na Reforma.

As mulheres no Séc. XVI tiveram um papel importante na reforma. Algumas delas tiveram contribuições memoráveis que merecem destaque. A gente fala tanto de Lutero, Calvino e esquecemos as mulheres que tanto fizeram para que a reforma se desenrolasse.

Catharina Von Bora, Catarina Schutz Zell, Claudine Levet, Marie Dentèrem, Rachel Specht, Argula Von Grumbach, Olympia Morata, ocuparam lugares importantes na reforma protestante, até pouco tempo havia um silêncio na história sobre os feitos dessas mulheres de coragem que ajudaram a gerar o cristianismo que temos hoje.

O destaque principal é de Catharina Von Bora, esposa de Lutero, casou-se com ele em 1525, Catharina fugiu de um mosteiro onde ela era freira. Lutero possibilitou essa fuga através de um mercador chamado Leonard Koppe que as levaria para Wittenberg, onde Lutero já as esperava para ajudá-las a encontrar casa, comida e maridos. Sendo que Catharina já havia sinalizado a Lutero que ele era o cara pra ela (Hummmmmmmmmm).

Catharina e Lutero foram os principais responsáveis por quebrar um dos maiores dogmas católicos: o celibato do episcopal. O celibato é a promessa que os padres e freiras fazem, jurando que não irão transar até o final de suas vidas. Ou seja, na teoria eles tinham que ser castos; os padres, freiras, bispos, na teoria até o papa.

O casamento de Lutero e Catharina quebrou um dos dogmas da igreja e abriu para o mundo a ideia de que: um epíscopo pode casar sim! Primeiro que os padres alegam que são a representação de Cristo, tendo o papa como a representação de Deus, em tese Jesus não praticou sexo e nem se casou, e como os epíscopos são “cristos” na igreja, então deveriam seguir o exemplo de Cristo. Digo que Cristo não se casou e não transou, “em tese”, porque a Bíblia foi adulterada no seu início canônico, na salada de frutas dos bispos católicos na escolha do que ia ser da Bíblia ou não, há rumores de que sim, Jesus havia se casado e que o Vaticano ocultou a parte do evangelho que dizia isso. Lógico que não acredito em teoria da conspiração, mas é um fato a ser observado. Eu creio no que já está na Bíblia e na narração que temos, porém se Jesus tivesse se casado não haveria nada de errado com isso.

Como eu disse anteriormente, quando a igreja fez a salada pra escolher os textos que iam para o cânon ou não ela colocou aquilo que lhe aprouve sem que houvesse algo “contrário” ao que foi posto ou não.

O catolicismo afirma que o celibato episcopal se baseia em Cristo e que o primeiro papa foi Pedro (e não foi!), só que Pedro teve esposa sim! Pedro como “primeiro papa” -segundo os católicos- foi casado, a mulher dele não é mencionada nas escrituras, mas a sogra sim, Jesus curou a sogra de Pedro em Lucas 4:38-44, logo, se tem sogra tem esposa, só disso a gente já derruba um dos pilares do catolicismo. Casar nunca foi pecado. Todo bispo, pastor ou em qualquer outra função eclesiástica TEM que ter esposa, a Bíblia diz em Tito e em Timóteo que os líderes eclesiásticos antes de qualquer coisa têm que ser “MARIDO DE UMA SÓ ESPOSA”, tem que ser homem e casado (Pastoras, game over para vocês!).

Fora que Catharina era também “mestre cervejeira”, ela fazia cerveja para Lutero e os reformadores, em suas reuniões e suas opiniões foram muito úteis e contributivas para a reforma. Ela administrava o dinheiro e os bens da casa, era uma boa esposa e até quem negociava a venda dos livros de Lutero era ela, Catharina montou um pensionato para estudantes e discípulos de Lutero no processo da reforma e suas contribuições para que Lutero fosse mais organizado foram de total importância. É aquela regra, por trás de um grande homem existe uma grande mulher.

Outra inovadora mulher da reforma foi Argula Von Grumbach, era casada com um dos estudantes de Melancton, aos 10 anos de idade recebeu de presente, uma Bíblia de seu pai e após ler a Bíblia aprendeu mais ou menos o que os reformadores se baseavam. Ela foi importante porque ela escrevia cartas no modelo de “panfleto” com ideais da reforma e versículos bíblicos para divulga-la, basicamente a mulher era, além de corajosa, uma inovadora nos métodos de missões, hoje uma das armas que as pessoas mais usam para o evangelismo são aqueles panfletinhos. Ela ainda lutou pelos ideais da reforma sobre a igualdade de homens e mulheres e o valor da mulher na sociedade usando o cristianismo como base de tudo (Sorry feministas).

Marie Dentiere pregava a Bíblia para outras mulheres e reforçava na sociedade a igualdade com suas pregações. Dentiere, em Genebra, fez com que as pessoas reconhecessem o valor e a importância das mulheres dentro das escrituras.

Outro destaque é Olympia Morata que era teóloga, professora de Grego e foi chamada para lecionar a língua na Universidade de Heidelberg, com isso ela formou uma espécie de seminário de formação de pastores e missionárias, carregava consigo os ideais da reforma e os pregou até o fim de sua vida.

A Reforma foi motivadora para a participação das mulheres na igreja, de modo geral, porque a reforma pegou a mulher subjugada pela sociedade católica, como uma procriadora e cuidadora do lar e filhos e a coloca num lugar de destaque. Lutero foi enfático ao dizer que a mulher TINHA QUE contribuir com a pregação do evangelho e que toda mulher é importante sim para levar o evangelho às pessoas, ou seja, em 500 anos a reforma fez mais pelas mulheres do que tudo que fez até hoje o movimento feminista. Tanto que nas sociedades onde o protestantismo foi a base para a política é possível ver mulheres facilmente tendo destaque, por exemplo, a Alemanha hoje é governada por uma mulher, a Inglaterra da mesma maneira, e tantas outras como Margareth Thatcher. Nas sociedades protestantes devemos dar destaques às rainhas da Inglaterra que sempre foram tratadas com total respeito por todos e venerada pela sociedade britânica. Diferente dos países onde há mais católicos, as sociedades protestantes tem uma visão menos conservadora acerca dos papéis do homem e da mulher.

Outra mulher de papel notável foi Idelette de Bure, ou Senhora Calvino, foi a mulher com quem Calvino conviveu até o fim de sua vida. Lutero tinha gota e sofreu de enxaqueca durante 13 anos, e foi através de Idelette que ele buscava alento para se acalmar e prosseguir nas escritas de suas obras, Idelette foi tratada por Calvino como “a excelente companheira da sua vida e sempre fiel assistente de seu ministério.”.

No geral, a reforma tratou de modo voraz a participação ativa das mulheres nos dogmas religiosos. Lutero deixou claro que homens e mulheres têm total acesso a Deus e que as tradições católicas de subjugar o feminino não poderiam valer mais do que as Escrituras. A reforma pregou, em seu desenrolar, que todos deveriam ser batizados e que ninguém deveria ser excluso de nenhum processo, como dito antes, a reforma queria levar o conhecimento a todos, pregar a Bíblia a todos e fazer com que essas pessoas saíssem do catolicismo, que não mais estivessem aprisionadas pelas amarras católicas.

Com isso as mulheres passaram a ter a mesma importância que a Bíblia dá a Áquila, a Débora, a própria Maria, mãe de Jesus, e tantas outras que a história mostra que foram mais do que importantes para o processo de formação da nossa sociedade.

Capitulo 10 – Reformem a igreja de hoje!

Depois de listar todos os itens importantes da reforma protestante, a dúvida que nos resta é: Precisamos de uma reforma nos dias de hoje? A resposta é clara: Sim. Porém, é tecnicamente impossível e vou lhes dar vários motivos para essa afirmação.

Durante a reforma protestante o objetivo de Lutero era consertar os erros da igreja católica e mantê-la estável com novos dogmas, a consequência foi inesperada porque a igreja católica não cedeu e acabou por gerar, a partir de Lutero, uma nova religião, a que denominamos de protestante nas suas mais congruentes vertentes. Hoje em dia “criar” uma religião é fácil, não há oposição e não um único líder a ser combatido; e sim vários líderes heréticos e tão poderosos quanto o papa Leão X, na época de Lutero.

O problema é: o combate não é mais a uma só vertente, e sim a inúmeras que existem, todas ramificadas e geradas através do pentecostalismo, querendo a gente ou não, a heresia pentecostal foi a porta de entrada para as maiores heresias e blasfêmias de toda a história do cristianismo, nunca na história se viu tanta bobagem ser pregada desde a criação do Pentecostalismo. Se há um câncer hoje, esse certamente é o pentecostalismo. Porque eu não digo que é o neopentecostalismo? Porque não há nada de novo, tudo é igual, tudo é antibíblico e “farinha do mesmo saco”. Eu não vejo diferença entre “o dono” da Assembleia de Deus e o domínio do Papa Francisco sobre a igreja católica. Essa “tara” que certos reformados têm em defender o dito “pentecostalismo clássico” é simplesmente ridícula.

A justificativa para defender o Pentecostalismo é que “não se pode ignorar o trabalho de evangelização dos pentecostais”. Certo, no sec. XVI o catolicismo também evangelizava, fazia missões, pregava o evangelho segundo eles mesmos e NEM POR ISSO, deixou de ser combatido por Lutero e pelos reformadores. Em toda essa “evangelização” feita pelos pentecostais só gerou o caos religioso que temos hoje, devido ao fato de que o pentecostalismo de 50 anos atrás, de 80 anos atrás iniciou essa porcaria que somos obrigados a ver hoje em dia, tem um monte de reformado tapado que acha que “obra” tem a haver com verdade pregada, se for assim temos que dar um Nobel de evangelismo aos “testemunhas de Jeová” que batem na nossa porta rigorosamente todos os domingos.

Ou seja, hoje precisaríamos não de uma reforma, mas de acabar de vez com a era do pentecostalismo, mas infelizmente eles se reproduzem mais rápido que bactéria em metástase, tanto que no Brasil 14 mil igrejas evangélicas são criadas por ano, garanto que 99% são igrejas neopentecostais de esquina de rua que pregam um evangelho de reteté e emocionalismo, de onde veio isso? Da mãe “mór” do problema do Brasil, um problema chamado: Assembleia de Deus que com seu sistema de franquia que deu certo no mundo todo, tem cidade que é mais fácil não ter hospital do que não ter uma assembleia de Deus, essas pequenas congregações surgem a partir de congregações maiores que não fizeram seu trabalho total de alienação na mente do camarada, ele vai lá discorda da igreja e monta a sua própria nem que seja para ganhar dinheiro as custas dos “fieis”.

Então, fazer uma reforma hoje é tecnicamente inviável, primeiro que temos “Krakens e Ragnaroks” para combater, grandes líderes que estão na TV, na mídia, na Internet pregando dia após dia coisas que até mencionar é nojento. Todo dia nasce uma vertente nova, uma nova interpretação da Bíblia, um curso de teologia fajuto, todo dia tem um herege diferente querendo ganhar dinheiro.

O problema não pode ser resolvido porque temos inúmeros reformados babões que ficam pagando pau pra o “Old Pentecostalismo” e um monte de gente sem a atitude de mudar, precisamos de mais uns 1000 Paulo Júnior, uns 1000 Paul Washer, uns 1000 John Piper para tentar iniciar uma reforma, se todos os protestantes reais tivessem no coração o que Calvino tinha que era a inspiração divina para escrever, para falar, para pregar, para usar a internet para combater as heresias aí sim seria possível, mas isso é tão utópico quanto o socialismo e pode nunca dar certo também, igual ao socialismo.

Uma boa solução seria uma intervenção da justiça nas igrejas, colocar imposto em cima desses caras, retirar a isenção fiscal e principalmente investigar os grandes líderes religiosos: Malafaia, Edir, Samuel Ferreira, Valdomiro, Estevam Hernandes e tantas outras lideranças que alienam e extorquem as pessoas em nome de Jesus.

O Pentecostalismo é a nova igreja católica, através do movimento pentecostal e suas ramificações foram criados novos deuses e santos para serem adorados como o próprio movimento, a ideia da “carismática” da busca pelos dons espirituais que já cessaram, através do movimento vieram os  “artistas” gospel que com seu sucesso levam consigo multidões de pessoas vazias que dizem adorar a Deus através de canções com letras que nada tem a ver com o evangelho. O Pentecostalismo liberou um demônio que a gente pode chamar até de “bezerro de ouro”, chamado Teologia da prosperidade, da mesma maneira veio através dela à venda das novas indulgências, hoje temos mais do que lascas de madeira da cruz de Cristo, temos até “tijolinho ungido”, ou seja, Maria? João? José? Para que tratá-los como santos se podemos “canonizar” líderes e fazer deles a “boca de Deus” aqui na terra.

Reviveram o achismo, reviveram a falta de estudo, transformaram o povo em bobos apaixonados. Estudar a Bíblia? Para quê se você pode passar horas rodando no manto e ganhando “experiências sobrenaturais”. Sendo assim, o que temos hoje é um caos religioso, é gente pregando o que quer em todo canto sem que haja controle, e a gente só e dá conta que esses caras trabalham 24h para alienar as pessoas das piores maneiras possíveis, quando se é como eu que era um aspirante a Feliciano que andava nos mais variados púlpitos pregando todas as heresias possíveis.

A reforma como que aconteceu na época de Lutero nasceu pela leitura da palavra, nos dias de hoje isso também tem que começar do mesmo ponto de partida, quanto mais a gente ler, quanto mais a gente tomar as universidades, as nossas congregações, devemos encher esses locais de verdades bíblicas, temos que terminar de cortar o véu que Cristo cortou e que os religiosos insistem em tentar costurar, temos que acabar coma juidaização do cristianismo, com essa baboseira de que o que aconteceu com o profeta X ou Y vai acontecer na sua vida e não vai e entre tantos outros pontos que a gente teria que abordar.

Hoje para que fosse feita uma reforma não seria mais 95 teses e sim umas 5 mil teses pra combater todas as heresias, mas que eu tenho certeza que você não iria ler. Entretanto seria bem legal passar na porta das grandes congregações e pregar alguns cartazes na frente, já pensou que louco que seria?

Autor: Paulo Ricardo Lima – Pregador, Palestrante DESMOTIVACIONAL, teólogo de boteco.

Quero agradecer a Deus e aos administradores da página em primeiro lugar, pois pela inteligência que Deus me concedeu mesmo eu sendo um pecador miserável eu pude concluir em tempo hábil esse texto, aos administradores da página pelo incentivo que cada um me deu ao longo de cada texto –  Quero agradecer aos seguidores da página que ficaram ligados e ansiosos por cada capitulo. Eu apesar de escrever algo razoável no quesito teologia sou um homem de poucas palavras para homenagens e agradecimentos, mas mesmo assim cada um que leu esse texto e gostou saiba que eu fiz para você com muito carinho.

Agradecer a Fabíola Martins, Renner Souza,  Matheus Valle, Saymon Battista, Thiago Barros,  Douglas Machado, Felipe Valverde, Thiago Hermman, Estene Barbosa, John Senna, Keytson Menezes, Ailla Mota, Jesi Medrado, Bruno Oliveira, Wanessa Oliveira, Gabriela Santana, Thaynara Moreira, Bianca Bacine, Diego Costa, Luelton Souza. (Todas essas pessoas leram esses textos assiduamente e ainda me cobraram pra fazer os textos ahaha)

Agradecer ESPECIALMENTE a Fabiola e ao Renner por serem os idealizadores e maiores incentivadores desse projeto, e quem sabe futuramente lançar um livro com o nome do Boteco Teológico.

Um Comentário

  1. Se lançar o livro avise por favor vou querer adquirir.

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