Namoro sem beijar? Líder da igreja vigiando as pessoas? Conheça o namoro em “côrte”.

O namoro em côrte é uma modalidade de relacionamento onde as pessoas se comprometem, mas não se tocam, namoram, mas não se beijam, é um modelo pregado e apoiado por muitas comunidades que tem o G12 como base de sua igreja, e o que tem de errado nisso? Vou te mostrar.

A princípio, a ideia é bem legal e até romântica na verdade. Segundo alguns sites, o namoro em côrte é uma amizade de um casal que se compromete até um possível casamento, só que dentro das igrejas evangélicas que utilizam a côrte como modelo padrão para seus jovens há uma interferência que pode prejudicar principalmente o crescimento emocional de algumas pessoas.

O namoro em côrte é monitorado por um líder ou pastor, os jovens envolvidos nesse tipo de relacionamento, não podem se encontrar ou namorar sem a presença desse líder, ou seja, o problema que quero abordar é justamente essa interferência paternalista em algo que sempre funcionou de maneira natural.

Por mais conservador que eu possa ser, nunca admitiria ter alguém me vigiando ou controlando meus passos, eu sou o tipo de pessoa que odeio me sentir ‘monitorado, gosto da liberdade de voar, pensar, errar e até pecar, esse papinho protecionista não me conquista.

Eu acredito que é mais difícil ensinar o voo, por isso a maioria das igrejas prefere cortar as asas daqueles que querem voar. A igreja age da seguinte maneira: Se ela não pode controlar ela chama de pecado. –Para quem adere um namoro em côrte, pressionado por uma denominação, vai ter incutido na mente que qualquer procedimento que seja diferente do que ela faz, será pecado–.

A igreja não pode controlar seus hormônios, pensamentos, vontades sexuais e contatos com as pessoas, e mesmo sem estar catalogada na Bíblia como pecado. A igreja usa de legalismo para proibir, ao invés de ensinar a verdade a seus membros.

Eu não estou dizendo que um namoro deve ser pautado no sexo deliberado sem que haja uma preocupação, pelo contrário, acredito que o namoro Cristão deve ser baseado nos princípios bíblico, deve haver amor e respeito e ao mesmo tempo uma busca por Cristo. Um namoro Cristão deve ter Deus como princípio e quando se tem Deus como participante, mesmo que o casal acabe caindo em um erro de percurso, não por causa de um beijo ou um abraço, ou isso irá “incentivar que o casal faça”.

Pode dar certo? Pode, vai depender do nível de sanidade mental que você têm.

http://imirante.com/namira/imperatriz/noticias/2015/06/02/namoro-de-corte-jovens-dao-primeiro-beijo-no-dia-sim.shtml

O princípio do namoro em côrte é evitar carícias, toques, dando ao jovem um pensamento cauterizado e medroso sobre a realidade da vida, é como se a gente regredisse ao tempo em que os pais combinavam os casamentos, breve veremos casos em que os líderes irão escolher quem namora com quem, e esse é o nível de “poder” mental que as igrejas podem ter sobre as pessoas.

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Ano passado vimos à notícia da Igreja que proibiu seus jovens de namorar, até publicamos um texto aqui na página que teve muita repercussão, onde a Assembleia de Deus do Pernambuco fez um documento assinado pelo pastor presidente em que os jovens participantes da união dos adolescentes não poderiam namorar e se continuassem com o comportamento seriam encaminhados aos líderes da igreja, ou seja, a igreja querendo tomar o papel dos pais.

Porque o papel de decidir sobre a vida do filho menor de idade e o aconselhamento na maioridade não é dever e nem papel da igreja, é um dever dos pais, é aos pais que está incutido a diretriz bíblica da estrutura familiar, é aquela regra do “cada um no seu quadrado”. A igreja pode aconselhar? Deve. Pode orientar? Deve. Mas decidir sobre o que as pessoas devem ou não fazer, ou namorar, não é papel da igreja e a igreja deve se colocar no seu lugar e fazer a sua parte.

A questão de ter um líder cheirando o calcanhar dos liderados quanto à questão de namoro, sem que possam se encontrar se o líder não estiver, é pegar dois jovens e colocar um fardo pesado sobre essas pessoas, é simplesmente cauterizar e pôr duas pessoas sobre vigilância quase que “24 horas” e sabe qual a base bíblica pra isso? Nenhuma. Simplesmente inventaram um procedimento.

Eu sou a favor daquilo que dá certo, o namoro normal, saudável, administrado pelo casal e no máximo com a intervenção da família de maneira positiva e clara, porém nunca serei a favor que a organização eclesiástica queira controlar os passos das pessoas, nunca a Bíblia foi a favor disso! A Bíblia é clara quando diz que é para o homem sair de sua casa e se casar com uma mulher, que é melhor casar que se abrasar, que não podemos ser prostitutos, nem adúlteros e que devemos andar pelo espírito e não pela carne, então esse procedimento legalista e cauterizador de mentes não é bíblico e não me venham com esse papinho de EEE (eu escolhi esperar) que não cola.

As pessoas falam muito sobre namoro Cristão, gente, ou é namoro ou é cristão, até porque não existe namoro na bíblia, vamos parar de “espiritualizar” nossos relacionamentos interpessoais, será que não dá pra viver uma vida normal e saudável sendo cristão? Será que necessariamente temos que inventar métodos “infantis” para reger a nossa vida? A Bíblia por si só, o amor e o respeito aos limites não dão certo?

Eu entendo que as pessoas devem se resguardar sim, fazer a escolha certa sim, até orar antes de namorar também, porém fazer uma imitação fajuta de contos de fadas “hollywoodanos” é simplesmente loucura!

Autor: Paulo Ricardo Lima – Pregador, Palestrante DESMOTIVACIONAL, teólogo de Boteco.

 

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