O Evangelho Ofensivo

O medo do confronto de ideias, do debate e, em última instância, de estar errado, é um problema evidente na vida cristã. Não podemos discordar do irmão porque “não devemos julgar”, não podemos falar de assuntos polêmicos porque “vamos escandalizar”, não podemos estudar a Bíblia, pois vamos acabar descobrindo a verdade!

Tenho certeza de que a introdução -talvez até mesmo o título- já “julgou”, “escandalizou” e “ofendeu” muita gente. Ainda assim, espero profundamente que, mesmo ofendido, você leia esta breve reflexão até o final. Até porque, caso você revire os olhos com este “textinho” antes de ler, estará me julgando.

Brincadeiras a parte, o assunto é bem sério. O ambiente cristão virou um mar de medo do conhecimento, onde censura-se tudo que ofende o ego humano. O Evangelho é ofensivo, ele julga, condena e nos humilha. Se as palavras de Cristo soam como seda no seu ego, saiba que você está ouvindo da forma errada. Jesus é aquele que derrubou as mesas do templo, chamou fariseus de “raça de víboras”, é aquele que batiza com fogo de condenação e que provoca a ira daqueles que confiam em sua própria justiça.

 

 


Sabemos bem, que o Evangelho é a boa nova de Cristo, a notícia de que o Salvador de nossas almas encarnou, viveu, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou. O Evangelho é o conforto de sabermos que nossa esperança pode ser depositada em alguém perfeito, garantindo uma salvação eterna, e não em homens falhos. Mas, por mais confortante que seja conhecer o amor de Deus, isso ainda é extremamente humilhante para nós, e deve ofender profundamente nossa justiça própria. Se o amor de Deus não te humilha, então você conheceu o amor errado.

Deus nos chama para um culto racional (Romanos 12:01), comparando tudo que é pregado com as Escrituras (1 Coríntios 14:29), julgando conforme a boa vontade de d’Ele. Se deixamos de examinar o ensino e de condenar o erro, estamos descumprindo nosso compromisso cristão e pecando (Tiago 4:17). Como crentes no Deus da Verdade, devemos buscar debater, ouvir, ensinar e julgar todo assunto, seja polêmico ou unânime. Abster-se do debate é fugir da essência do caráter de Deus, é conformar-se com a escravidão da mentira e do pecado (João 8:31, 32).

Fico imaginando como teria sido se Lutero não tivesse julgado o papado, a teologia escolástica e as indulgências. Se os pais da Igreja não tivessem lutado contra o gnosticismo, se os cristãos da Alemanha nazista não tivessem condenado os absurdos do governo e da teologia liberal, se os apóstolos não tivessem ofendido com a verdade os judaizantes e os idólatras. Sem confrontar o mau, a igreja sucumbe em heresias lançadas ao vento pelo diabo e seus servos. Fugir das discussões não é nada mais que o pecado da preguiça, aplicado no cotidiano intelectual de crentes descompromissados com o Evangelho.

Quero que esse texto lhe ofenda, quero que ao ler isso você veja como a natureza pecaminosa nos humilha diante de Deus e que é necessário que a verdade seja pregada na íntegra, por mais dolorosa que seja. Flagele seu ego e sua preguiça com a verdade das Escrituras e grite bem alto para que todos ouçam que somente a verdade liberta, pois a verdade provêm de Deus, mas o engano é de Satanás.

Autor: Ismael Woltmann – Estudante universitário, ativista conservador, teólogo da libertação do neopentecostalismo.

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